sábado, 18 de maio de 2013

18 de maio, quanto tens por dizer... (4ª parte).


Engarguelando meu irmão em um tempo não muito distante daqui. Esta foto foi tirada em um estúdio fotográfico na minha cidade natal, Cruz das Almas. Naquela época tinha toda uma produção de minha mãe para seus filhos saírem bem na foto. Eu não gostava de pentear meu cabelo, achava lindo desgrenhado, mas eu nunca consegui tirar uma foto como eu queria. Imagino que, como uma forma de dizer não, eu tenha agido dessa forma. Não foi por mal, mas o fato é que eu não gostava de ir aos estúdios fotográficos. Não suportava que penteassem meu cabelo. Tinha asco a uma escova com cabo de madeira. Terrível. Pô, um cabelo tão lindo que meu pai fazia questão de não deixar ninguém cortar. Quis o destino (?) que meu pai falecesse quando eu completei dois anos de idade (há exatos trinta e nove anos atrás) e, finalmente, minha mãe, sob pressão familiar, resolveu cortá-los. Eu não suportei esse momento. Odiei a ideia. Aliás, naquela época muita coisa me contrariava. Não mudou muito com o passar dos anos. As coisas abrandaram pro meu lado quando descobri o rock, e em seguida, a literatura beat. Aí sim, minha vida começou a fazer algum sentido, principalmente, quando escutei ainda em Cruz das Almas as canções do The Jesus and Mary Chain. Um som ensurdecedor e melancólico ao mesmo tempo (se você conseguir ouvi-los, vai perceber que por trás de todo aquele barulho tem um cara cantando como se estivesse sussurrando no ouvindo de uma mulher). O álbum era Psychocandy, o disco da minha vida. Outras paixões começaram a brotar. As cervas e o vinho começaram a escorrer por minhas veias preenchendo uma lacuna, um buraco em meu peito, assim como essas lágrimas que escorrem todo ano nesta cinzenta data em minha vida.

Postar um comentário