sábado, 22 de junho de 2013

Com Jane e Hope na cabeça.


Conheci a Hope Sandoval, minha musa americana, vocalista do Mazzy Star, no final dos anos noventa assistindo o programa Lado B do senhor Fábio Massari na MTV (passava nas noites de domingo). Acho que rompia a madruga. Tenho o costume de beber nas tardes de domingo por não suportá-la, ou como escrevi na primeira parte da minha autobiografia "as tardes de domingo são tediosas, por isso bebo a tarde inteira". Então eu dormia no começo da noite ali mesmo no sofá com o despertador do meu lado pra não perder o programa do reverendo. Dias depois, encontrei o disco "Among my swan" numa loja de discos em Salvador e comprei sem pestanejar. Tava desempregado nessa época e a grana que minha mãe me dava servia pra comprar discos e livros. Acontece que tinha toda uma história após as compras porque ela vivia reclamando que minha grana só servia pra "isso", então eu escondia dentro da minha calça toda vez que chegava em casa com minhas compras. Era complicado porque o clima ficava tenso achando que ela ia descobrir a qualquer momento. Mas as canções faziam valer cada trocado. Cada momento de tensão e logo minha nova compra estava na estante entre os outros. É claro que ela percebia vendo minha coleção aumentar todo mês. Mas no fundo ela gostava. Sei disso porque quando eu dava um tempo, ela vinha com essa "nunca mais um disco, hein véi!?". Mãe é foda. Mas o que eu quero dizer mesmo é que tive um sonho surreal com a minha Jane Birkin e acordei pensando na Hope. Não é pra entender. Nem tô preocupado com isso. Parece que as manifestações acabaram ou deram um tempo por causa das festas juninas -- coisa de brasileiro. Quero que a "Lei do Psiu!" acabe. Devolvam os bares abertos até o cu da madruga (é isso o que almejo). Cada um na sua. Agora, por que eu sonhei com Jane e quis ouvir a Hope? Não sei. Sei que a voz dessa menina que já gravou com o Jesus and Mary Chain, Death in Vegas e Chemical Brothers, me arrepia toda vez que a escuto. Existe uma sensualidade e carisma capaz de tocar até os brutos. Os vândalos que buscam na guerra a resolução pros seus problemas. Sim, esses problemas são mais internos do que externos. Não me engano que tem muita gente olhando pro umbigo. Como sempre. Lutar em prol dos outros? Sei. Sei como é. Fico por aqui ao som dessa deusa numa manhã de paz com os pássaros cantando do alto das árvores que cercam a quadra do embrião da Cracolândia.

Flowers in december, uma das minhas canções preferidas do Mazzy Star: http://www.youtube.com/watch?v=QSM58Kf8AS8.

Até a próxima.
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