domingo, 14 de julho de 2013

Como é bom perder um vizinho mala.


Meu antigo vizinho ouvia Eddie Vedder todos os domingos de manhã. Todo santo domingo o filho da puta ouvia o malinha do Pearl Jam ao lado da minha janela. Então eu era obrigado a acordar em meio a uma ressaca poderosa ao som de "Ukelelê". A trilha pro filmaço "Na natureza selvagem" até passa no meu critério de qualidade, mas este é o fim da picada. O meu critério é diferente do seu. Por exemplo: "Psychocandy", o disco da minha vida, não é música de gente normal. Uma pessoa em sã consciência não vai ouvir aquilo e dizer que é bom. Mas deixa os caras do Jesus em paz. Quero falar sobre meu vizinho. O novo. Ele me fez levantar mais cedo da cama em pleno domingão ao som de Creedence, Bonnie Tyler e John Lennon, o que me faz pensar que esse vizinho é legal. Ele tá ouvindo "Changes" do Black Sabbath agora. Isto que é um vizinho. Tenho a impressão que é vinil, porque toda hora o som "pega". Colecionador de discos que não tem cuidado com suas preciosidades não são de confiança. Pô, Eric Burdon! Do jeito que eu gosto. Esse cara é dos meus. Aliás, não é. Este não é um cara de confiança. Mas acordar ao som de Eric Burdon é pra poucos e o cidadão tá perdoado. Mas eu voltei no tempo mesmo foi quando abri a janela do meu quarto e vi um Fiat 147 branco parado do outro lado da rua. Ao lado, uma gatinha segurando um poodle. Não gosto de poodles, mas a gatinha é um colírio para os meus olhos. Melhor que isso seria receber um telefonema de Jane Birkin me convidando pra beber com ela no começo da noite. Mas isso não vai acontecer. É que ela nem lembra mais que eu existo.

P.S: Formatando o texto ao som de "Je t'aime". Isto que é um vizinho. Não é de confiança. Mas é um cara legal.

Até a próxima.
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