sábado, 31 de agosto de 2013

As Dez Mais do Mês.


10) Renato Godá - Como vai você?;

9) Cida Moreira - Menina de trança;

8) Bruce Springsteen - 4th of July, Asbury Park (Sandy);

7) The National - Graceless;

6) Aldir Blanc - Vida noturna;

5) Palace - Dancing in the dark;

4) Marcelo Nova - A balada do perdedor;

3) The Jam - That's entertainment;

2) Leonard Cohen - Death of a ladie's man;

1) Leonard Cohen - Paper thin hotel (http://www.youtube.com/watch?v=rUnNXB6PnqU&hd=1).

Peço desculpas por não conseguir postar os links para audição. Houve várias falhas na tentativa de fazer como das outras vezes, mas infelizmente, não deu. Quanto ao link do Cohen, você pode copiar e colar no navegador. 

Visite a La Verga, meu blog de textos eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.

Até a próxima.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Como se eu fosse o velho safado...




Como se eu fosse o velho safado tragando um boilermaker no balcão do Clube Caju tentando te defender dos murros desconcertantes de um bêbado inábil e sem estilo para ali estar. Como se fosse no nosso bar e você ganhando mais uma vez na sinuca sob o olhar dos curiosos e tudo que tínhamos que fazer nessa noite era estar lá pra defender ur mininu sangrando selvageria e uivando para as placas de trânsito tentando alcançar um telefone, um contato, que sabemos, de nada adiantaria. Como se fosse uma janta. Como se fosse apenas mais um motivo pra te abraçar sorrindo em meio ao vento frio, inesperado. E você ali, com olhar astuto de leopardo a ponto de estourar, de defendê-lo sem proteção e é claro que eu não te deixaria na mão. Como se fosse desses pesadelos que temos no cu da madruga enrolado em lençóis manchados por esse líquido espesso que esquenta nossa noite furiosa. O néctar dos deuses inunda o rodapé do nosso refúgio. Cohen chora lamentos de amores mal resolvidos. Nos permitimos ser assim como se fosse uma noite qualquer. Como se não fosse você e eu.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Guia de drinques (1ª parte).


Lendo o livro Guia de drinques dos grandes escritores americanos, fiquei sabendo de histórias curiosas desses caras que já mexeram muito comigo e, melhor ainda, de suas bebidas preferidas. Aqui está a primeira parte desta nova série.

1) Raymond Carver (1938-1988). "Quando lecionavam na Universidade de Iowa, Carver e John Cheever começaram a beber juntos. Em pouco tempo, alunos e professores preocupados passaram a convidá-los para jantar, num esforço para garantir que comessem. No fim do semestre, Carver e Cheever decidiram dar uma grande festa para retribuir toda a hospitalidade. Os convites foram enviados, o salão foi alugado. Antes do evento, porém, os dois escritores tiveram de viajar. Combinaram de se encontrar em Iowa City no dia da festa. De maneira lamentável, mas não surpreendente, ambos ficaram bêbados e perderam seus aviões. Naquela noite, os convidados chegaram para encontrar um salão vazio - nada de comida, nada de bebida, nada de Carver, nada de Cheever".

A bebida preferida de Carver era o Bloody Mary. Eis a receita:

60ml de vodka; 
15ml de suco de limão siciliano;
1 colher de sopa de molho inglês;
3 gotas de molho de pimenta tabasco;
1/2 colher de café de raiz-forte;
1 pitada de pimenta-do-reino moída grossa;
1 pitada de sal de aipo;
suco de tomate para completar;
1 talo de aipo e 1 fatia de limão taiti.

Coloque todos os ingredientes (menos o talo de aipo e a fatia de limão) em um copo highball e encha com cubos de gelo. Complete com o suco de tomate e mexa. Decore com o talo de aipo e a fatia de limão taiti. Sinta-se livre para ajustar qualquer um dos ingredientes ao seu gosto, mas lembre-se: a raiz-forte é indispensável.

O livro foi escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013


Tempo para amar é pedir demais aos deuses. É o mesmo que pedir tempo para mim mesmo. Acredito que não serei atendido se um pedido desses for feito. Não preciso de elogios, de compaixão, nem de dinheiro. Eu necessito mesmo é de aprender a amar. Tanta gente que ama, que se doa pra si mesmo e pros outros. Eu, não. Acredito que os deuses estão contra mim. Eles não me dão oportunidade. Meu coração tá sempre embaraçado com as veias entupidas pra dificultar a passagem do amor. Até que ele tenta, mas não consegue. O amor tentou passar insistentemente por essas vias, que para mim, são obstáculos de péssimo acesso. Várias tentativas foram feitas. Tentei mesmo. Juro. Quiseram os deuses dificultar as coisas pro meu lado. Não tenho jogo de cintura pra desviar de um nóia na rua quanto mais pra desviar de tudo isso. São os embaraços. E o meu prazo de validade tá vencendo.
 

domingo, 11 de agosto de 2013

Cenas de uma vida.


Estranho hábito noturno o meu. Uma falta do que fazer me conduz à banquinha de filmes do brother da pracinha. Do outro lado da rua vejo passar a maior cantora de rock da cidade. Ela não me viu [olhar fixo em Short cuts e Ken park depois que ela passou]. Um bate-papo ao meu lado. A banquinha chama a atenção dos curiosos. Uma encomenda foi feita. Minhas orelhas estão protegidas com o gorrinho preto. Salivo um pouco ao ver o garçom passar com o néctar dos deuses na bandeja. As folhas das árvores sibilam um som que não sei distinguir do tilintar dos copos na pia do bar. É que meus pensamentos estão muito longe dali. A mensagem de Liquinho no celular mexeu comigo. Demorou, mas o guri do rock não esqueceu de mim. Muitos esqueceram. Já tô acostumado. Eu também esqueço delas com frequência. Não posso reclamar. Nem devo. A Sete de Abril está deserta como meu peito nesse momento. Short cuts e Ken park agora em cima da cama. Ardência nos olhos que talvez me impeçam de assisti-los ainda hoje. Acontece que eu preciso. Necessito do Short cuts. Há nele muito do Raymond Carver [talvez o último grande escritor que conheci]. Garrafas de néctar dos deuses multiplicam-se no rodapé das paredes do meu quarto. Em homenagem a ti, Carver, termino esse texto sem ritmo algum.

Até a próxima.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Desses giros (um agradecimento ao soberano).



Escrevi no texto Qualidade de Vida, postado aqui em 2011, que não pratico nenhum tipo de esportes, nem sequer faço caminhada. Há um equívoco de minha parte aí, e aproveito pra me redimir e fazer uma pequena correção. Que não vou ao médico regularmente, é certo. Praticar esporte, nem pensar. Até aí tudo bem. Mas a verdade é que gosto de fazer minhas caminhadas nos fins de tarde pelo centro da cidade e isso conta [sempre me sinto melhor quando volto pra casa]. Não é uma caminhada nos moldes tradicionais em que as pessoas colocam tênis apropriado com roupas leves e tal. Eu caminho com meu jeans e o bom e velho all star de sempre. Adoro parar em frente ao Teatro Municipal na Praça Ramos pra observar os transeuntes e imaginar seus destinos. Admiro a bunda das mulheres que passam apressadas e me pego pensando: "Pra quê tanta pressa?". Às vezes, vou ao Shopping Light comprar umas cervas importadas numa loja que fica no quarto piso (nunca lembro o nome dessa loja), sei muito bem que a variedade é boa e o atendimento é ótimo. Claro que neste giro pelo centrão é obrigatório uma passada em algumas lojas de discos: Velvet SP, Locomotiva e a Baratos Afins são minhas preferidas. Comprar ou encomendar um disco nessas lojas (compro mais na Velvet do meu brother Andre Fiori), dá uma sensação boa. Hoje mesmo, encomendei um box contendo todos os discos do Leonard Cohen, exceto Old Ideas, que foi lançado no ano passado. O box, de luxo, traz a coleção do grande Cohen em réplicas de vinil. Antes de seguir pra Ramos, passei na Baratos pra comprar 12 fêmeas, o novo do Marcelo Nova. Ouvindo neste momento, posso perceber, claramente, o amadurecimento de Marceleza como compositor. O instrumental está mais rico do que nunca e a atmosfera que permeia essas canções é de impressionar os fãs de Cash e Dylan [pensei antes de escrever isso e devo dizer que não estou aumentando nada]. Não existe terapia melhor do que escrever. Depois, sem dúvida alguma, esses passeios pelo centrão que me rejuvenescem; na volta, costumo parar no Timbiras Grill & Chopp pra jantar bebendo um choppinho escuro e assistindo os telejornais com uma quase certeza de já ter visto aquela informação antes. A vida é cíclica. Meus fins de tarde, também. Raramente são diferentes. Marceleza mandando bem aqui no meu headphone me faz crer na noite. Em mais uma me seduzindo neste exato momento e a minha adorada madrugada logo ali. Amanhã é dia de me matricular na faculdade pro curso de Letras. As aulas começam no próximo dia dezenove e as coisas vão mudar um pouco pro meu lado. Vou ter que dormir mais cedo [as aulas serão de manhã]. Mas eu tô curtindo tudo isso. Quando faço o que gosto e me dá prazer, não reclamo e ainda agradeço ao soberano por tudo.

Até a próxima.