domingo, 11 de agosto de 2013

Cenas de uma vida.


Estranho hábito noturno o meu. Uma falta do que fazer me conduz à banquinha de filmes do brother da pracinha. Do outro lado da rua vejo passar a maior cantora de rock da cidade. Ela não me viu [olhar fixo em Short cuts e Ken park depois que ela passou]. Um bate-papo ao meu lado. A banquinha chama a atenção dos curiosos. Uma encomenda foi feita. Minhas orelhas estão protegidas com o gorrinho preto. Salivo um pouco ao ver o garçom passar com o néctar dos deuses na bandeja. As folhas das árvores sibilam um som que não sei distinguir do tilintar dos copos na pia do bar. É que meus pensamentos estão muito longe dali. A mensagem de Liquinho no celular mexeu comigo. Demorou, mas o guri do rock não esqueceu de mim. Muitos esqueceram. Já tô acostumado. Eu também esqueço delas com frequência. Não posso reclamar. Nem devo. A Sete de Abril está deserta como meu peito nesse momento. Short cuts e Ken park agora em cima da cama. Ardência nos olhos que talvez me impeçam de assisti-los ainda hoje. Acontece que eu preciso. Necessito do Short cuts. Há nele muito do Raymond Carver [talvez o último grande escritor que conheci]. Garrafas de néctar dos deuses multiplicam-se no rodapé das paredes do meu quarto. Em homenagem a ti, Carver, termino esse texto sem ritmo algum.

Até a próxima.
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