quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Como se eu fosse o velho safado...




Como se eu fosse o velho safado tragando um boilermaker no balcão do Clube Caju tentando te defender dos murros desconcertantes de um bêbado inábil e sem estilo para ali estar. Como se fosse no nosso bar e você ganhando mais uma vez na sinuca sob o olhar dos curiosos e tudo que tínhamos que fazer nessa noite era estar lá pra defender ur mininu sangrando selvageria e uivando para as placas de trânsito tentando alcançar um telefone, um contato, que sabemos, de nada adiantaria. Como se fosse uma janta. Como se fosse apenas mais um motivo pra te abraçar sorrindo em meio ao vento frio, inesperado. E você ali, com olhar astuto de leopardo a ponto de estourar, de defendê-lo sem proteção e é claro que eu não te deixaria na mão. Como se fosse desses pesadelos que temos no cu da madruga enrolado em lençóis manchados por esse líquido espesso que esquenta nossa noite furiosa. O néctar dos deuses inunda o rodapé do nosso refúgio. Cohen chora lamentos de amores mal resolvidos. Nos permitimos ser assim como se fosse uma noite qualquer. Como se não fosse você e eu.

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