quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Se eu fosse o som de uma guitarra dedilhada, seria a que sai da guitarra de Lou Reed em Harry's Circumcision.




Em Magic and Loss de Lulu Reed (apelido que Reed recebeu dos amigos ainda nos anos sessenta, época em que ele andava de roupa preta colada no corpo com um traveco a tiracolo), há Harry's Circumcision. Costumo dizer que se eu fosse o som de uma guitarra dedilhada, seria este que sai da guitarra de Lulu nesta música.

A letra fala do devaneio desvairado do jovem Harry que um dia acorda e fica indignado com sua imagem refletida no espelho. "As bochechas da mãe, os olhos do pai/À medida que os dias caíam sobre ele o futuro se revelava claro/Ele estava virando seus pais/A decepção final".

As semelhanças com seus pais eram nítidas. Indignado, Harry resolve cortar o nariz ao lembrar-se de Vincent Van Gogh - sim, o nariz. Então, em seguida, após mais algumas modificações em seu próprio corpo, Harry corta a garganta de uma orelha à outra.

Como consequência disso, acorda no leito de um hospital em frente ao médico que diz assim: "Meu filho, salvamos sua vida mas você nunca mais será o mesmo". Lulu acrescenta o final dessa história com versos hilários e chocantes, assim como o dedilhar de sua guitarra: "E quando ouviu isso, Harry não conseguiu segurar o riso/Por mais que doesse, Harry não conseguiu segurar o riso/A decepção final".

Um dedilhar com um clima soturno permeia a canção e meus olhos se enchem de lágrimas. Sozinho mais uma vez, fico perplexo com tamanha beleza que sai da guitarra desse cara que ouço há mais de vinte anos. Do cara que fez minha cabeça quando eu ainda era um guri do rock. Talvez eu ainda seja um guri. Mas é que agora não tem mais graça nenhuma, Lulu. E você se foi.

 *** 

Postado aqui em 2011. Fiz uma pequena modificação.

Até a próxima.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Guia de Drinques (4° parte).


Jack Kerouac (1922-1969).

 "Não beba para se embebedar. Beba para aproveitar a vida". 

J.K.

"Antes de cair na estrada, Kerouac correu mares. Jovem com sede de aventura, alistou-se na Marinha americana. À espera do exame de qualificação, acabou numa bebedeira em Boston. Inexplicavelmente, ingressou na Guarda Costeira e mais tarde no mesmo dia prestou juramento como fuzileiro naval. Dando-se conta de que era tecnicamente membro de três braços das Forças Armadas, Kerouac fez a única coisa sensata - bebeu mais. Acabou desmaiando num bar de marinheiros e de manhã viu-se a bordo do SS Dorchester com destino à Groenlândia. No meio de tudo isso, tinha telefonado para os pais e dito que chegaria em casa "um pouco atrasado".

Agora era um marinheiro mercante, carregando um pequeno saco de roupas e livros. Embora mais tarde a Marinha o tenha diagnosticado como uma "personalidade esquizóide" e o dispensado, continuou bebendo como um marinheiro pelo resto da vida".

Bebida preferida: Margarita. Eis a receita. 

45ml de tequila branca;
30ml de cointreau;
15ml de suco de limão taiti;
sal;
gomo de limão.

Passe o gomo de limão na boca de um copo de coquetel gelado; em seguida, pressione-se contra o sal colocado em um pires. Despeje todos os ingredientes em uma coqueteleira cheia de gelo. Bata bem. Coe para o copo de coquetel preparado. Decore com o gomo de limão. Também pode ser servido com gelo, em um copo old-fashioned.

Do livro Guia de Drinques dos grandes escritores americanos. Escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Obra-Prima.


Sítio do Picapau Amarelo - Trilha sonora (vários artistas - 1977).

Esse é do tempo em que eu saía correndo da escola no final da tarde pra assistir a "minha" turma. Meus olhos não piscavam em frente à TV. Acreditava que um dia pudesse encontrá-los. Então, na esperança de realizar este sonho, de vez em quando, me pegava olhando pro fundo da TV pra ver se eles estavam lá. Só queria dizer "eu sou fã de vocês". Mas eles nunca estavam lá. Via só umas luzes. Fios. Escuridão. E ficava triste. Sempre ficava triste. Lembro que uma vez chorei e ninguém pôde fazer nada. Enfim, coisas de menino besta.

Visite a La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com

Até a próxima.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dicas para este fim de semana.


Além do 3 Hombres, Obra-Prima do ZZ Top, quero indicar o livro Putas Assassinas do Roberto Bolãno e o filme Short Cuts do Robert Altman, que é baseado nos contos do Raymond Carver.

Eu bebo regularmente e confesso que a cerva ou o bourbon descem bem melhor quando estou envolvido com a música ou com o cinema. Não gosto de ler e beber ao mesmo tempo. Gosto de beber depois da leitura e ficar curtindo a história, pensamentos, entre outras coisas.

Vivo num mundo que é só meu. Sim, sou autista. Um autista por opção. O mundo gira em torno do meu mundo. Tudo passa pelo meu crivo e não do que as pessoas querem. Antigamente, eu era rebelde e radical em muitas coisas. Principalmente no campo da música e literatura. Futebol, também. Hoje, ao longo dos meus quarenta e um anos de idade sou um cara flexível. Compreensivo.

Ontem, eu tava no bar curtindo uma das novas músicas do Pearl Jam e gostei muito. É uma balada. Não sei o nome. Meu brother Carcarah foi quem colocou o som pra gente curtir enquanto armávamos a exposição do nosso brother Pedro Puro. Eu sempre achei o Eddie Vedder um mala. Mas uma coisa eu não posso negar: o cara tem uma "senhora" voz e canta muito bem. Tenho aprendido que o meu mundo, ao qual cuido com tanto carinho, é só meu. E isto é importante pra mim. Somente. Quanto ao seu, eu não tenho nada a ver com isso.

Link para ouvir 3 Hombres: http://www.youtube.com/watch?v=sA0sZnaDIDo&hd=1

Até a próxima.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Guia de Drinques (3ª parte).


Charles Bukowski (1920-1994).

"Um dos poucos escritores a ser talvez tão famoso por seus porres quanto por sua produção, Bukowski era um bêbado que vomitava, mijava, brigava, trepava e caía. Dizia-se que era capaz de beber 30 cervejas de uma tacada, e também de escrever 30 poemas em uma semana. Durante alguns anos, chegava aos bares assim que abriam - cinco e meia, seis horas da manhã - e ia embora quando fechavam. O típico freguês de bar, Bukowski ficava sentado em seu banco, observando. Às vezes brigava, às vezes falava pelos cotovelos, mas sempre escrevia e sempre bebia".

Bebida preferida: Boilermaker. Eis a receita:

60ml de whisky tipo bourbon, rye ou standard;
250ml de cerveja tipo lager.

Coloque o whisky em um copo shot. Coloque a cerveja em uma caneca apropriada. Tome de um só gole o whisky puro e beba a cerveja logo em seguida. Gelada, ela irá perseguir o destilado quente em sua garganta.

Do livro Guia de Drinques dos grandes escritores americanos. Escrito por Mark Bailey e ilustrado por Edward Hemingway (neto de Hemingway).

Tin tin.