sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Obra-Prima.


Serge Gainsbourg - Histoire de Melody Nelson (1971).

Nunca mais escrevi pra Jane Birkin. Tava pensando nisso ontem à noite na porta do teatro encostado na parede e bebendo vinho. Voltei a beber vinho. Tinto. É que com o "sangue de jesus" correndo livre em minhas veias, eu consigo ter uma noção melhor das coisas e evito uma ressaca moral no dia seguinte. Ressaca moral é a pior; e as minhas são violentas. Ou como diria Reinaldo Moraes: "Não tenho mais ressaca. Eu morro mesmo".

É verdade que ela não tá merecendo um texto dos que eu costumava escrever pra ela. Então, bebendo um vinho depois de ter assistido a peça Borrasca, com texto e direção do meu amigo Mário Bortolotto, à meia-noite (hoje tem mais), me lembrei quando um dos personagens disse um troço mais ou menos assim: "Não existe ciúme. O ciúme nada mais é do que a sensação de perda que fica. A derrota". Acho que é isso. E deve ser esta sensação de derrota que me acomete quando penso em Jane. E por isso mesmo não escrevo mais pra ela.

Até a próxima.

sábado, 16 de novembro de 2013

Tião, o cara dos filmes.


Esse cara é o responsável pelos filmes que tenho assistido nas últimas semanas. É que eu não me lembro mais do roteiro de muitos filmes que assisti há mais de 15 anos atrás; então, encomendo com o Tião. Ele tem uma banquinha na Praça Roosevelt em frente à Tabacaria. Sempre sorridente, de uma simpatia fora do comum, Tião é o cara que tá me fazendo voltar no tempo em que eu assistia filmes no cinema ou na TV durante a madrugada (foi nessa época que minha mãe colocou meu apelido de "Corujão da madrugada"). Adoro assistir filmes na madruga. Ler livros e ouvir música, também. É o melhor horário. Eu divido meu tempo, assim: fazer essas coisas que citei acima na madruga; beber à noite, quando não tô lendo ou escrevendo - nunca escrevo bebendo - salvo raras exceções, bebo durante o dia. Ler de manhã depois do café é quase como uma obrigação. Mas não é isso que quero falar. Eu tô falando do Tião, o cara que tá me fazendo voltar no tempo em que eu assistia as grandes películas no cinema ou na TV durante a madruga. Ontem, passei lá de noite pra pegar O Balconista, primeiro filme do Kevin Smith. Aproveitei pra comprar o doc. Geração Beat, a história dos Beatniks (este eu vi a turma compartilhando no facebook, mas é que prefiro ter o DVD comigo). Sou colecionador de discos desde os treze anos de idade e tudo indica que agora serei colecionador de filmes que fizeram minha cabeça no passado. Filmes que não consigo lembrar de nada. O Balconista é um deles. Com o Tião, já comprei: Último tango em Paris, Bird, One plus one, Ken Park, O iluminado, Amor à queima-roupa, O inquilino e Chinatown (ambos do grande Polanski), Short cuts, Expresso da meia-noite, The Runaways - garotas do rock, entre outros. Já estão encomendados: O grande Lebowski e Drugstore Cowboy.

Quando você estiver passando pela pracinha, e se lembrar desse texto, dá um pulo na banca do Tião. Ele vai conseguir o filme que você quiser. Temporadas, também. E o cara é gente fina.

Até a próxima.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Obra-Prima.


The Dead Billies - Don't mess with The Dead Billies (1996).

Quando eu falo sobre a The Dead Billies, a maior banda de rock da Bahia de todos os tempos, a turma fica parada olhando pra minha cara com um certo ar de indagação [e olhe que eu sou fã da brincando de deus]. Bem, eu fico sem jeito. Parece que eles só conhecem Camisa de Vênus e Cascadura -- bandas Ok, apenas. Mas tudo bem. O problema deve ser dos meios de comunicação da terra de Caymmi e Jorge Amado [aff... eu merecia coisa melhor]. E o Don't mess with The Dead Billies, primeiro álbum da banda, tá fazendo aniversário neste ano!

Ouça "Bloody red cadillac", minha preferida do álbum: http://www.youtube.com/watch?v=p-ZxojTw3Pg&hd=1.

Até a próxima.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A morte de Lou Reed...

(Velvet Underground).

A morte de Lou Reed me fez chegar a uma triste constatação: de agora em diante, é só descida. Só ladeira abaixo. Acho difícil que eu e toda minha geração venha ter novos ídolos. Sem mais ídolos por vir, penso que a qualquer momento a gente pode perder outros e não vai ter ninguém mais. Só ladeira abaixo. Do alto dos meus quarenta e um anos de idade, esta certeza que crava agora em minha mente é cruel como o tempo e a gente não vai ter mais ninguém. Como se não bastasse ter que suportar os moderninhos nariz em pé e os pseudo fodões, agora teremos que amargar a terrível constatação: de agora em diante, é só descida. Só ladeira abaixo.

Até a próxima.