quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Melhores do Ano (2ª parte).


Eu gosto e sempre tive preferência pelo rock inglês e americano. Pela música estrangeira. Costumo brincar com um amigo que prefiro o original do que a cópia. Já ele prefere a cópia. Ele gosta mais do Barão Vermelho. Eu gosto mais dos Rolling Stones. É por aí. 
Ouvi poucos discos nacionais este ano. Não muito diferente dos outros. Por isso só escolhi oito. A lista dos estrangeiros continua com dez. Me lembrando agora de um cidadão que me disse: "Buenas, você é um alienado. Eu tenho pena de você". Não sei por que me lembrei disso agora. Sei lá. 

Melhores Discos Nacionais. 

08) Tio Che - Bléqui ou uáti.
07) Glauberovsky Orchestra. 
06) Reverento T. e Os Discípulos Descrentes - Azul profundo. 05) Loomer - You wouldn't anyway.
04) Renato Godá - Eu não mereço seu amor. 
03) Declinium - Marte. 
02) Saco de Ratos - Saco de Ratos 3.
01) Luís Capucho - Poema maldito. 

Melhores Músicas Internacionais.

05) Karen O. - The moon song. 
04) Thurston Moore - Speak to the wild.
03) Afghan Whigs - Algiers. 
02) Parquet courts - Uncast shadow of a southen myth.
01) Marianne Faithfull - Sparrows will sing. 

Melhores Discos Internacionais. 

10) The Raveonettes - Pe'ahi.
09) St. Paul & The Broken Bones - Half the city. 
08) Marianne Faithfull - Give my love to London. 
07) Foxygen - ... And star power.
06) Neil Young - A letter home. 
05) Echo and The Bunnymen - Meteorites.
04) Wilko Johnson & Roger Daltrey - Going back home. 
03) Leonard Cohen - Popular problems.
02) Naomi Shelton & The Gospel Queens - Cold world.
01) Thurston Moore - The best day.

Melhores Shows.

The Jesus and Mary Chain - Festival da Cultura Inglesa.
Thurston Moore - Cine Jóia.
Sebadoh - Sesc Pompéia.

Melhor Bar. 

Mercearia São Pedro (A Merça) - Rua Rodésia (esqueci o n°). Vila Madalena, SP - SP.

Feliz ano novo para todos.

Até a próxima.

sábado, 27 de dezembro de 2014

On The Rocks Recomenda.


Altamente Recomendável. 

Night on earth (Uma noite sobre a terra), do grande Jim Jarmusch.

Assistir: www.tocadoscinefilos.net.br

Até a próxima.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Melhores do ano (1ª parte).


Adoro fazer listas e tô sempre lendo as que são publicadas nas revistas que acompanho (Uncut, Mojo e, às vezes, a Rolling Stone). Não sou leitor dessa última. Tipo de revista que não me diz nada, mas como sou curioso, leio ocasionalmente na biblioteca pública. Sim, na biblioteca. Eu pago cinquenta reais todo mês na Uncut, mas não pago onze na Rolling Stone. Então eu costumo fazer minhas listas de melhores livros e discos todo final de ano. É assim desde que criei o On The Rocks em 2008. Costumo fazer assim: a primeira parte, melhores livros, sai às vésperas do Natal; e as melhores músicas e discos, no último dia do ano.

Eis os melhores livros que li este ano independente do ano de lançamento (em ordem alfabética).

1) Bruno Bandido - Tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro.
2) David Goodis - A garota de Cassidy. 
3) Danislau Tb - Hotel rodoviária.
4) Fábio Massari - Mondo Massari. 
5) Liev Tolstói - A morte de Ivan Ilitch. 
6) Marcelo Mirisola - Hosana na sarjeta. 
7) Marcia Barbieri - A puta. 
8) Philip Roth - Animal agonizante. 
9) Reinaldo Moraes - O cheirinho do amor (Crônicas safadas).
10) Samuel Beckett - Primeiro amor.

Alguns deles, não terminei ainda. São dois. Mas ler um livro, pra mim, é como beber uma cerva desconhecida: no primeiro gole, eu sei quando é das boas ou não. E raramente erro. 

Feliz Natal.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Discotecagem de sexta-feira.


Na disco desta sexta-feira, 12, vou dividir as pick ups, mais uma vez, com Carca Rah e Mário Bortolotto. Começa às 20H. Em seguida, a gente vai dar uma pausa por causa da peça Patrimônio que começa às 21:30H [a peça tem uma hora de duração]. Depois, a gente retorna com o som e sabe Deus a hora que vai acabar. Não paga pra curtir a disco. Tô sabendo que vai ter torta da Gabi. Acho que é de frango. Então, depois da peça, a gente fica por ali se revezando nas pick ups. Para esta, vou fazer um set só com Motown e Stax. Deverá ser de quarenta minutos. Depois, o rock é quem comanda e tá tudo certo.

Assim será meu set: Motown x Stax. Em seguida, será a vez do rock, esse menino traquino que nunca cansa. 

Local: Cemitério de Automóveis SP (Rua Frei Caneca, 384).

Até lá.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Trilha da madruga: Zé Ramalho.


Saindo da Merça, entramos no táxi e tava tocando "Chão de giz", clássica do repertório do Zé. Do primeiro álbum - sua obra-prima - em minha opinião. O motorista mandou essa: "Esse cara é inteligente. Eu gosto dele porque ele é um cara inteligente". Sim, Zé é um cara inteligente. Eu diria "muito mais que isso". O presidente do Banco Central é inteligente. Políticos são inteligentes (Lula, é. Dilma, tenho minhas dúvidas). Publicitários são inteligentes. Pelé é inteligente. Há tantos inteligentes... Sabedoria, talento e genialidade, não. Isto é pra poucos. Deixar na história uma obra como esta, é pra poucos.

Pra ouvir "Chão de giz": https://www.youtube.com/watch?v=AiATDmLo6r8

Até a próxima.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Trilha da noite: St. Paul and The Broken Bones.


São do Alabama. "Half the city", o primeiro álbum da banda -- já haviam lançado dois EPs no ano passado -- é sério candidato a melhor disco do ano. O Cantor Paul Janeway, com trejeitos que me fazem lembrar o bardo irlandês Van Morrison, típico nerd que viveu sofrendo 'bullying' na escola - esta é a impressão que eu tenho - detona no vocal. Traz o som pra ele. Performance das mais contagiantes nos shows da banda, é esse gordinho que tem feito a cabeça da gente nas madrugadas no Cemitério de Automóveis. É muito foda o som desses caras. E vá cantar assim na casa da PQP!

"Half the City" na íntegra: www.youtube.com/watch?v=KChG05odLvU&list=PLgGTViiYpwOhZTrHOsxRdWxjZwUoR0QXd&index=9

Até a próxima.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Trilha para sempre: André Christovam.


No vocal, a lenda Andrew "Big Voice" Odom cantando em companhia de músicos americanos e do prórprio Christovam, claro. Considero "The 2120 Sessions" o melhor álbum do André. Gravado em Chicago no lendário 2120 Studios, nele só há blues matadores. Ora instrumentais, ora com a voz da lenda. Lembro dele dando entrevista a Jô Soares -- na época Jô tava no SBT. Assisti a entrevista e naquela mesma semana comprei o LP -- tenho até hoje guardado, e muito bem guardado, na casa do meu amigo Fabrício Silva. Pra não ficar 'na mão', tenho comigo em SP o CD remasterizado com edição caprichada [Só não tenho o Cassete porque nunca vi]. É assim: quando eu piro num disco, tenho em vários formatos. Vai que... Mas você não precisa concordar comigo. A sua opinião não me interessa. Desculpa. Não sou desses que se incomoda com a opinião do outro e raramente peço uma. Aproveitando: se eu nunca pedir a sua opinião, nunca dê. Se vc não resistir e mesmo assim quiser dizer algo, por favor, diga pra somar, porque de derrota eu já tô cheio até 'o gargalo'. Semanas depois da entrevista, "Big Voice" faleceu excursionando no Brasil em um acidente de carro. Se vc tiver com um tempo livre, entra no Youtube e procura por ele solo ou em companhia do André. Cê não vai se arrepender. Vá por mim.

Link: www.youtube.com/watch?v=6n2VzounOE0

Até a próxima.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014


"AMANHÃ, a partir das 20h, o happy hour de sexta. E dessa vez, além do envolvente Buenas, teremos a melancolia do senhor Mário Bortolotto e a empolgação alucinógena de Willy Wonka Carcarah. Eles prometeram revezar no som, três DJs, portanto. E mais: sanduíche de carne louca! Na hierarquia dos sanduíches, só o churrasco grego é capaz de eclipsar esse mastodonte da culinária panela de pressão. É isso aí, é amanhã".

(Lucas Mayor)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lhasa.


Eu sou fã da banda inglesa Tindersticks há mais de quinze anos. O clima atmosférico e soturno das canções tornam as coisas bem melhores toda vez que escuto. No fim de semana passado, lembrei-me que não tenho o disco Hungry saw.
Uma vez navegando na web, me deparei com Leaving songs - gravado em 2005 nos Estados Unidos, no estúdio do Lambchop, mas lançado em 2006 - segundo álbum solo do Stuart Staples, cantor e compositor da banda, e resolvi baixar.
O timbre de voz do cara continua me impressionando. O instrumental é rico e delicado. A beleza que transcende de seus versos é de fazer corar o mais disperso dos românticos. De posse do álbum, saí à procura dos videos no Youtube. Agora é que as coisa s vão "piorar".
A sétima canção de Leaving songs, chama-se That leaving feeling, e este foi o primeiro video que encontrei. O mundo parou de repente em minha frente quando um trem, digamos assim, humano, começou a andar sobre os trilhos com o rosto do Stuart e sua soturna voz me levando de encontro à coisa mais linda que ouvi nos últimos anos. Um rosto lindo e carismático cantando em frente a outro trem, me levaram a um mundo novo e encantado, bem diferente deste que estou vivendo aqui no sul do país onde não há beleza alguma, exceto o sorriso de minha mãe e as montanhas que cercam Paranaguá - cidade localizada no litoral do Paraná.
Lhasa de Sela é o nome da cantora. Saí pesquisando sobre ela e soube que a moça é norte-americana, filha de americanos, mas com descendência mexicana.
Na infância, e posteriormente na adolescência, viveu viajando pelo mundo em companhia de seus pais. Daí, nota-se porque ela canta em inglês e espanhol, entre outas línguas, em seus três álbuns lançados. 
Eu já estava começando a me apaixonar por ela quando soube da pior notícia que poderia me ocorrer naquele momento: Lhasa faleceu no primeiro dia deste ano vítima de câncer nos seios, em Montreal, instantes antes da meia-noite. 
Encantado com o mundo que estava parado em minha frente, fiquei por ali, deitado na cama de minha mãe olhando para o teto. Uma fresta de sol ia de encontro a cômoda que refletia na minha testa.
Fazia frio na hora. A árvore que fica aqui em frente prenunciava o começo da noite com a chegada dos morcegos que vivem por aqui. Eu já não achava mais graça em nada. A vida opaca daqui voltava à sua rotina lenta e sem beleza alguma. 

"Lhasa", escrito em junho de 2011, é mais um texto do meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." que posto aqui. Será lançado no primeiro semestre do próximo ano. 

Eis o video: https://www.youtube.com/watch?v=Qkbp1TyWMX4

domingo, 9 de novembro de 2014

Buenas Radio - n° 53.

Buenas Radio - n° 53. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

The Walkabouts para começar a noite.


The Walkabouts para começar a madruga e sua música sublime em um momento sereno aqui no Cemitério de Automóveis. Não que seja diferente. Mas é que agora tá diferente de como foram as últimas noites -- agitadas e bem animadas. Bem legais. Mas agora tá diferente. Perguntaram há pouco ao Marião onde estão os perigosos e ele respondeu: "Tem dois aqui". A Isa chegou depois. Na dela, como sempre. Tamo ouvindo agora uns blues que saem das caixas. Neste exato momento, penso na minha banda preferida de Seattle, depois dos Screaming Trees de Mark Lanegan, é claro. Se bem que eles são de Aberdeen -- acho que é de lá. Aberdeen é perto de Seatlle, e tá tudo certo. Quanto aos dois perigosos, estão bem. Cada um com sua bebida preferida na mão esperando tranquilamente pela madruga. De Buenas.

http://www.youtube.com/watch?v=piYAbPeC_PI&feature=share

Até a próxima. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ao vivo no Village Vanguard.


"Como outras companhias seletas de mortais, os músicos de jazz têm sua própria demonologia. Talvez os espíritos mais malignos sejam os principais críticos, seguidos de perto por quase todos os empresários e a maioria dos funcionários de gravadoras. Mas um círculo especial nesse inferno é reservado aos donos de boate. Os críticos são imbatíveis em sua ignorância; os empresários são mentirosos incuráveis e os executivos das gravadoras nunca mostram números verdadeiros. Mas os donos de boate, assim reza a lenda, possuem todas essas características perniciosas e, de quebra, não possuem o menor interesse pela música". 

Introdução assinada por Nat Hentoff.

Assim começa o livro Ao Vivo No Village Vanguard (Cosac Naify, 2006), de Max Gordon, sobre o fascinante mundo do jazz e da folk music norte-americana. Max chegou na terra prometida ainda na juventude em companhia de sua mãe e de seus irmãos, vindos da Lituânia, para encontrar seu pai que mudara-se em busca de uma vida melhor para sua família no pós-guerra. 
Foi com muito esforço que Max, por incentivo de Anne - uma garçonete que ele conhecera em Nova York – e seu fiel amigo Harry Simon, que ele fundou nos anos trinta esta célebre boate que abrigou diversos nomes da cena musical no Greenwich Village, como Leadbelly, Judy Holliday, Sonny Rollins, Miles Davis, Charlie Mingus, entre outras feras. 
Max relata com detalhes o começo e o apogeu do Village Vanguard. Das dificuldades e de como era prazeroso fazer parte daqueles momentos de rara beleza. Poder sentar-se na mesa e beber várias garrafas de vinho em companhia de gente como Thelonious Monk, Dinah Washington, Woody Guthrie... Testemunhar de perto o florescimento de um estilo musical fascinante até hoje. 

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Lançamento: 2015.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Trilha do dia: Reverendo T. & Os Discípulos Descrentes.


Versão matadora esta que o Reverendo T. fez para "Revelação", que foi uma das minhas trilhas da madruga. O cara destruiu e melhorou, e muito, um dos clássicos do repertório de Fagner. Eu prefiro a versão do meu amigo baiano fã de Leonard Cohen e cerveja como eu, do que a do cearense. Do polido ao sujo, denso e arrastado. 

Acordei e a primeira música que ouvi foi esta. Devo ouvir mais umas dez vezes antes de começar meus afazeres -- minha rotina diária -- que eu tanto gosto. Hoje não é dia de Merça, é verdade, minha rotina das segundas-feiras, mas essa é a rotina que eu escolhi pra mim e devo dizer que esta nunca cansa, também.

Ouça o cara aqui: www.soundcloud.com/reverendo-t

* * *

Ando ansioso para ouvir o novo álbum de Neil Young, "Storytone", que será lançado no dia três de novembro. Mais um petardo do velhinho fodástico tá vindo por aí. Ontem, saiu "The Best Day", o novo álbum do Thurston Moore. Ele tá vindo tocar em SP no dia quatro de dezembro com sua nova banda, a Thurston Moore Band, e é claro que eu não vou perder essa. 

Até a próxima.

terça-feira, 21 de outubro de 2014


fui dormir por volta das quatro da madruga. antes, lembrei que hoje é o aniversário dela, e deitei. acordei às nove da matina com o telefone tocando: "eu te amo". conversamos um pouco e ela desligou. me lembrei do aniversário dela. pensei um pouco sobre nosso primeiro encontro e de como foi o segundo, o melhor. adormeci em seguida e sonhei que estávamos juntos numa festa aqui em SP e, em alguns momentos, na Bahia, perto dos meus familiares que ficaram curiosos pra saber quem era "a gata". chamamos atenção dos transeuntes na porta de casa. era noite e nos beijamos muito por ali. ela me agarrava e cochichava que não queria voltar pra SP. que coisa. eu adoro aqui. jamais ficaria lá pra satisfazer essa vontade dela. essa. já fiz tantas... mas essa, não. não me vejo morando em outro lugar. foi um sonho longo... muitos momentos aqui e lá. e o que a gente queria mesmo era ficar juntos. colados. foi triste quando acordei, absorto, procurando ela pelo apartamento. a melancolia bateu. é triste essas coisas: imaginar minuciosamente e não viver tudo isso. mas pra quê a gente sonha, caramba!?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Diálogo.

- Ela é atriz.
- Isto quer dizer que ela é vaidosa.
- Por que? 
- Porque ela é atriz.
- Escritor também é.

(Pausa à la Dorival Caymmi)

- Veja bem...
- Rá, te peguei.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Trilha da madruga: Elliott Smith.


Para uma madrugada onde o facebook nada me diz entre uma eleição e outra -- como são chatos esses posts onde pessoas só faltam sair na mão pra defender seus candidatos. Cada um crê no seu e defende com unhas e dentes. Eu não perco meu tempo com isso, desculpa. Tô tentando cortar uma gripe que tá prestes a me derrubar. Gosto de pensar que é gripe. Das brabas. Tem quatro tipos da "Rasen Bier" na geladeira me esperando. Uma pena que não posso desfrutar das cervas de Gramado que comprei hoje descendo a Frei Caneca depois de comprar o novo álbum do Leonard Cohen, "Popular problems". Cohen é um "gentleman". Desses que amam as mulheres. Antes, descobri um restaurante mineiro entre a Caneca e a Augusta. Adoro comida mineira e aproveito pra dizer que a garçonete era uma atração à parte e seu sorriso me fez adiar um pouco o pedido. Fiquei ali bebendo a "Verdinha" e curtindo o calor. Nunca mais eu havia saído de casa ao meio-dia -- é que normalmente acordo nessa hora; mas tava louco para completar minha coleção do canadense. Também amo as mulheres. Acontece que Cohen é um cavalheiro. Ele é do tipo que manda flores e puxa a cadeira pra elas sentarem. Diferente de mim. Eu não faço essas coisas. Tô mais pra Bukowski. Nesta semana, meu amigo Lucas "De Maior" fez uma comparação da minha escrita com a do velho safado. Já ouvi muito essa comparação. Mas a do Lucas foi diferente: "Buenas, você é muito influenciado por Bukowski. É verbo, substantivo e complemento; o que difere é teu estilo. O teu é próprio". É, Lucas, estilo é a marca. A digital. Então eu fiquei admirando a garçonete do restaurante mineiro. Realmente adoro comida mineira e sou tarado por garçonetes. Voltando à trilha da madruga: depois de ouvir Cohen, me deu vontade de ouvir o Elliott. Minha garganta continua doendo e esta sensação febril só faz meu humor piorar. Com essa "politicagem" virtual, então, nem se fala. 

Até a próxima.

Elliott Smith: www.youtube.com/watch?v=YvshckQBt1c

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Assistindo Cachoeira...


Assistindo Cachoeira - do boteco de Dona Véinha - 
pude enxergar a solidão de suas ruas entre as trilhas 
melancólicas que me levam a lugar algum. 

Talvez aos teus seios
Analisando a imensidão da tua beleza
que não me sai do pensamento -

Como naquele verão marcado pelas travessuras 
que fazíamos nas tardes onde a maresia 
embaçava nossos olhares carregados de sonhos pueris,
diante dos olhos de Alice [masturbando-se na densa tarde que flutua em minha frente] -

Que me levam a lugar algum.

* * *

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Lançamento em 2.015.

domingo, 5 de outubro de 2014

Trilha sonora para quando a cerva subir pro juízo, ou o que sobrou dele.

Eu sempre tive o hábito de passar os domingos em casa. Nunca gostei de visitar ninguém, nem de ser visitado. Principalmente quando é visita surpresa. Nunca bata em minha porta e venha com essa: "Surpresa, Buenas!". Por favor. Meu humor, que não é dos melhores, vai piorar. Não gosto de ir à praia (aliás, gostava quando eu era criança e minha mãe levava a gente - meu irmão e eu - pra pescar no Farol da Barra). Nem ao shopping. Praia, só no fim de tarde, quando o sol está prestes a cair fora. Assim que eu gosto. De beber minha cerva, sossegado, em companhia de quem vale a pena. Então eu gosto de ficar em casa assistindo filmes e ouvindo música bebendo minhas cervas. Ou bourbon. Depende do tempo lá fora. O que faz a diferença aqui dentro. Depende. Tudo depende. Dos discos que eu gosto de ouvir quando a cerva sobe pro juízo, ou o que sobrou dele, é o primeiro do Barão Vermelho -- um disco de rock tosco gravado em quatro canais. Ou será oito? Não me lembro. É nesse que tem "Down em mim", "Billy negão", "Por aí" e "Todo amor que houver nessa vida", entre outras loucuras com Caju berrando poesia crua. Impactante. Muito foda esse "filhinho-de-papai da zona sul". É assim que os detratores de Cazuza o chamam para denegrir a sua imagem. Seu talento. Deve ser mesmo um incômodo pros babacas ser rico, rocker e poeta talentoso com muita grana pra gastar. Nunca entendi por que o poeta tem que ser o pobre fodido de bolso. O que vaga por aí trabalhando em troca de comida e bebida. De um lugar pra dormir (essas coisas que falam sobre o poeta marginal). Um poeta marginal pode morar na cobertura do Leblon, frequentar grandes festas nos endereços mais quentes e não ser babaca como muitos artistas que é só blá blá blá. Só discurso. O primeiro disco do Barão é uma obra-prima. Isto se deve em boa parte ao talentoso poeta Caju e seu canto escrachado. Mais um "filhinho-de-papai" a deixar sua marca indelével em nossas vidas. Em nossa história. Sempre tardão da noite esse disco toca em meus domingos encharcado de cervas e amor. Muito amor.

P.S.: Este texto foi escrito e postado aqui e no facebook em 2.012.

Buenas Radio - n° 48.

Buenas Radio - n° 48. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Frase da noite: Marina Silva é gostosa.


Do alto dos meus quarenta e dois anos de idade, confesso que nunca ouvi uma frase tão absurdamente impactante numa mesa de bar como esta. Demorou um tempo pra "ficha cair", mas caiu, e eu tenho testemunha -- um amigo que estava do meu lado ouviu. Instantes depois, quando o cara parou de falar genialidades como esta, nos encaramos absortos. É, ouvimos a frase da noite: "Marina Silva é gostosa". Ouvimos essa. Custei a acreditar, mesmo sabendo que gosto não se discute, que alguém proferiu esta frase na mesa do bar com tanta veemência: "Marina Silva é gostosa". Esta veio nos acompanhando durante o percurso até nossas casas. "Marina Silva é gostosa" batendo na cabeça a todo instante.... "Marina Silva é gostosa"... PQP!

Até a próxima.

domingo, 21 de setembro de 2014

Buenas Radio - n° 46.

Buenas Radio - n° 46. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

desde meus tempos de escola...


desde meus tempos de escola
eu vivia solitariamente
no meu canto 
não gostava de ficar no meio dos demais
mesmo quando ela me convidava
para entrar,
eu não entrava
um dia, ela se aproximou usando uma saia curta
abaixou-se mostrando seus pelos pubianos
eram pretos 
e estavam saindo da calcinha
apertou minha mão contra seu peito
e me convidou para entrar
no canto escuro da parede
a imagem de Cristo
olhando pacificamente
para meus olhos
solitariamente 
tristes.
e nada mudou. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

On The Rocks Recomenda.


Daí que o meu brother Bruno Bandido indicou o site www.tocadoscinefilos.net.br pra gente assistir uns filmes. Bruno, o site é muito bom. Encontrei "Joe", filme que a turma vive comentando, que eu tava doido pra assistir. E lá tem "Basquiat" e "Betty Blue" que eu quero assistir de novo.

Valeu pela dica.

Grande abraço.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ontem à noite...


ontem à noite dois cães mataram um gato no estacionamento
da minha janela, deu tempo de ouvir os últimos gemidos do gato
foi sinistro
depois os cães latiram, bravos, para que o gato acordasse
o gato não acordou 
os cães ficaram mais uma vez bravos -- 
o brinquedo quebrado,
a diversão no parque abandonada -- 
eu não senti pena do gato

do lado de cá uma gata geme entre meus braços
e eu não me lembro de mais nada.

sábado, 13 de setembro de 2014

Trilha da madruga: Pin Ups.



Time will burn (1993):  www.youtube.com/watch?v=JHpIvz1RD5A

Vi há pouco no JN que um político...


Vi há pouco no JN que um político esteve em algum lugar hoje à tarde -- não me lembro o nome do lugar, nem do político --, mas o que me chamou atenção é que o cara lavou louças neste lugar. Às vésperas das eleições eles são tão bonzinhos... Não saco política. Não entendo amigos se gladiando aqui no facebook defendendo esses caras. Esquerda, direita, não faz diferença alguma para mim. Mas o que me chama atenção neles, os políticos, é que como são bons atores. Como eles interpretam bem. Mickey Rourke, o cara que fez minha cabeça no filme "O Selvagem da Motocicleta", não chega nem aos pés no que diz respeito a interpretação. Um político lavando louças diante de seus eleitores em algum lugar pobre deste país. Que patético. Que filho da pauta.

Até a próxima.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Trilha da madruga: Nina Simone.


Foi meu amigo Jão Moonshine quem trouxe esta preciosidade de Los Angeles pra mim no mês passado. Ele me explicou que é uma série comemorativa da Jack Daniel's. Explicou nos mínimos detalhes e é claro que eu não gravei nada do que ele disse. Tá foda. Às vezes me assustam estes esquecimentos, esta falta de memória. Mas não me preocupo com isso. Dizem que é a idade que tá chegando. Eu não tô nem aí pra idade. Eu não tô nem aí pra nada.

Nina Simone - Tomorrow is my turn: www.youtube.com/watch?v=O-qpXTqyjr4

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

No livro "Gone baby gone", o senhor Dennis Lehane diz...

(Morrissey).
 
No livro "Gone baby gone", o senhor Dennis Lehane diz odiar Morrissey através de um dos seus personagens. Segundo ele, o vocalista da banda britânica The Smiths vive se lamentando das amarguras do mundo e o rock não é lugar para isso. Acho que ele odeia o blues, também.
 
Esta declaração me fez lembrar de um texto que eu escrevi em 2012 detonando um monte de gente. Sobrou pra Paulo Coelho, Jorge Amado e Dorival Caymmi -- artistas ao qual tenho o maior desprezo --, entre outros. Tipo de texto inútil, assim como as declarações de Lobão detonando tudo e todos. Recentemente, Roger Moreira, o babaca da vez, falou um monte de merdas -- até do finado deputado Rubens Paiva, desaparecido nos anos sessenta, época da ditadura militar, o cara falou. E falou mal.
 
Acontece que tem um negócio chamado História. Disso eu só vim me dar conta anos depois de ter escrito o meu texto. Não adianta. Por mais que você demonstre seu ódio por algo ou alguém, a história está sendo contada. O Ultraje a Rigor não representa nada para este país comparado ao que os Smiths representam para as ilhas britânicas. Lá, Morrissey é Deus. Aqui, Roger é um babaca. Lobão é tagarela que vive buscando cada vez mais holofotes, pois é assim que ele vive. A impressão que eu tenho é que ele necessita disso: luzes, câmera, ação. Quanto ao senhor Lehane, um bom roteirista querendo causar.
 
Não adianta, meus caros. Existe um troço chamado História e ela está sendo contada. Se liga! "Inclusive você, Buenas".
 
Até a próxima.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A melhor carona é a do meu amigo Lucas.

 (Na foto: Neal Cassady).

Eu confio no Lucas "di Maior", o melhor volante depois de Neal Cassady. Me sinto seguro. O Lucas tá sempre sóbrio. Ele bebe guaraná quando tá nos bares com a gente -- sei que antes de chegar em casa ele passa no posto de gasolina pra comprar Dan'up. Mas essa é outra história. Então eu ando com ele sem me preocupar com nada; e como a gente conversa... silêncio passa longe! Ontem, pra variar, conversamos o tempo todo. Problema é lembrar dos assuntos no dia seguinte. Hoje acordei tentando me lembrar de alguma coisa que foi dita no carro, só que não consegui me lembrar de nada. Mas o pior de tudo é olhar pro comprovante de pagamento do cartão de débito. Isto é o pior. A pior hora. Somar os gastos da noite anterior é o mesmo que lembrar das caronas do Harry Potter. Susto du caralho!

Até a próxima. 

domingo, 31 de agosto de 2014

Buenas Radio - n° 43.

Buenas Radio - n° 43. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

Trilha do dia: Nina Simone.


Mr Bojangles by Nina Simone on Grooveshark

É essencial ouvir "Mr. Bojangles" com Nina Simone aos domingos quando acordo. Ouvir esta perfeição quando acordo é como tomar café forte com bolo de chocolate. É essencial. Adoro. E tem que ter uma fatia de queijo em cima. Somente depois é que vou começar a minha leitura do dia. Tô lendo, ainda, "Hosana na Sarjeta" do Marcelo Mirisola -- é que interrompi a leitura para ler, mais uma vez, o "Alma Beat", a bíblia sobre a "beat generation" no Brasil. Definitivo. Então, só depois de ouvir Nina Simone cantar "Mr. Bojangles", a perfeição da natureza em forma de música, em forma de arte, é que vou começar os afazeres do dia. É isso.

Desejo a todos um bom dia.

sábado, 30 de agosto de 2014

Betty em Amsterdam.

(Na foto: Béatrice Dalle).

Acabo de acender uma vela para Jack Kerouac. Voltei a ler os essenciais "Big Sur" e o "Alma Beat". Tenho escrito para personagens que têm vida própria mas que estão longe do meu alcance, assim como você vivendo na melancólica Amsterdam, sozinha, sonhando em ser reconhecida mundialmente. Adoro suas pinturas. Tô com o livro "68 contos" do Raymond Carver aqui comigo. Li o primeiro conto. Somente. Pois só consigo pensar em Kerouac agora. Leio pouco os contemporâneos. A maioria é rasa -- não é o caso do Carver. Adoro Eddie Bunker, Efraim Medina e o Pedro Juan Gutiérrez. Esses caras urgem. Fazem valer. O que eu quero mesmo neste momento é esquecer de mim só pra ver como as coisas ficam. Imagino que deve ser bem melhor sem minha presença. Jane Birkin tá aqui em SP. É provável que a gente beba na Augusta. Incrível como esta cidade é enorme, mas todos só falam na Augusta. Você tá vendo como o mundo é limitado? Em Amsterdam deve ser assim, não? O mundo tá se tornando cada vez mais um lugar desprezível. Soube que foi proibido fumar maconha nas ruas dessa cidade que você adotou como sua. É verdade, Betty? Te vejo angustiada trancada dentro de casa. Nostálgica. Dia desses vi a Debbie, sua melhor amiga, na famosa Augusta. Tô prestes a me mudar. Vou sentir saudade daqui, o segundo lugar que me acolheu na Selva de pedra. Não tenho almoçado ultimamente. Acordo ao meio-dia, tomo café e abro o livro. Passo horas lendo "Big Sur". Costumo ler devagar, como se estivesse saboreando cada letra, cada palavra.

* * *

Reescrevi este texto recentemente. O original foi postado aqui em 2012.

Até a próxima.

sábado, 23 de agosto de 2014

HOJE (Agenda para profissionais).


Lançamento do livro "tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro" de Bruno Bandido no teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384). 20H.

Depois, tem a peça "Killer Joe" às 21:30H -- lá mesmo. 

E depois, tem show da "Saco de Ratos" no Club Noir (Augusta, 331). Meia-noite.

Um poema do Bruno:

"amém em toda rodoviária
em todo ônibus circular
há sempre uma mulher
com quem eu poderia dormir. 
foder a noite inteira
até colocar tudo pra fora
junto com a inevitável
beleza.
em toda rodoviária
em todo ônibus circular
há sempre
a possibilidade da beleza.
um cansaço imberbe e aliviado - 
nem que lutássemos
seríamos impunes". 

Até a próxima.