sábado, 11 de janeiro de 2014

Obra-Prima.


Nau - Nau (1987).

Calor do inferno. Vou até o posto de gasolina mais próximo comprar cerveja. Aqui no litoral do Paraná pouca coisa me faz sair de casa. Comprar cerveja é uma delas. As mulheres daqui não me chamam atenção -- exceto a mulher do vizinho de minha mãe. Acontece que o cara é gente boa, então eu faço de conta que ela não tá ali. Mesmo quando ela me dá "boa tarde", sorrindo, eu faço de conta que ela não tá ali -- eu vivo fazendo de conta, minha válvula de escape. De volta do posto de gasolina com as cervas embaixo do braço, abro a primeira. Tá "choca". Minha mãe me pergunta o que faz uma cerveja ficar "choca"; eu não sei o motivo -- e não vou procurar no Google. O meu humor piora quando o clima esquenta. Daí que me lembrei do disco da Nau, o primeiro e único, gravado em 1987 com Vange Leonel no vocal. Puta disco de rock. Neste exato momento a bolinha vermelha pisca lá em cima. É uma mensagem. Tomara que não seja alguém tentando encher meu saco. A cerva tá no ponto. A verdinha. E Vange cantando como se estivesse do meu lado: "A vida passa num piscar de olhos...". Eu bem sei, Vange. Este disco, conciso, denso, genial, só encontra páreo quando penso no primeiro do Barão Vermelho ou no primeiro da Fábrica de Animais, a melhor banda de rock do país da atualidade. Na minha opinião. O que é muito, ao menos, pra mim. Eu não tô nem aí pras bandas novas. São desprovidas de talento e qualquer uma pode lançar um disco novo. É claro que há exceções. Sempre há. E a The Gins! tem feito a diferença ao lado da Fábrica. São estilos diferentes. Cada um na sua. O que eu queria dizer quando comecei a escrever esse texto é que aqui tá fazendo um calor do inferno, e o disco Nau, em companhia de umas cervas geladas e da presença de minha mãe, tá fazendo a diferença. E que você pode dedicar um pouco do seu tempo pra ouvi-lo. Uma obra-prima, sem dúvida alguma. Rock da mais alta estirpe.

Até a próxima.
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