domingo, 23 de fevereiro de 2014

juntando os fiapos do cabelo dela.


juntando os fiapos do cabelo dela tentando me lembrar de suas explicações sobre a beleza e seus padrões. segundo ela, existe um padrão, e me falou de sociologia e antropologia. eu não tava entendo nada. bebaço em um boteco na São João, tentei argumentar. em vão. ela sacou. e seu sorriso desarmou qualquer tentativa de argumento sobre a beleza e seus padrões. o pior está sempre por vir. o melhor, também, e eu sabia coma ia terminar a noite. juntando os fiapos do cabelo dela com uma mão e sem habilidade alguma - não tenho com as duas, quanto mais com uma só - senti falta do casaquinho xadrez na cabeceira da cama quando acordei. ela sempre deixa rastros. dessa vez, os fiapos de seus negros cabelos. curtos. e eu adoro deslizar meus dedos puxando um monte deles; deve ser por isso que esses fiapos escorrem agora de minha mão, a direita, a única a funcionar. escrever assim é foda. tenho dito. ir ao médico me dá uma preguiça filha da puta. com ressaca, não rola. e quando esta passa, já tá na hora de voltar pro trampo. esses momentos são únicos e não tenho do que reclamar. a culpa é minha - sempre - e as revelações da menina do casaquinho xadrez me fizeram pensar em algo que está por vir, então tento me isolar por alguns instantes numa lan house enquanto ouço Nick Cave cantando "Slowly goes the night" e uma só mão funcionando e a corrida contra o tempo com a vida lá fora que não para de urgir com meus pensamentos difusos... minha mão esquerda dói agora. é impossível não querer usar um dos seus dedos e consigo por alguns instantes. logo, ela começa a reclamar. o pior está sempre por vir. o melhor, também, e eu sabia como ia terminar a noite.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Alguns caras mudaram o rumo da minha vida.


Alguns caras mudaram o rumo da minha vida. São eles: os beats, Reid brothers, dois amigos (não vou dizer quem são esses dois amigos), Pepe Escobar com o texto "Let it beat", Henry Miller e Charles Bukowski - foi lendo Cartas na Rua, seu primeiro romance, que eu descobri sua escrita. Comprei o livro em um sebo lá em Salvador. O ano era 1992 - o velho safado faleceu em 9 de março de 1994. Como uma forma de homenageá-lo - são vinte anos sem ele - minha amiga Ivone Fs convidou os amigos para ler alguns dos seus poemas. A leitura será na próxima terça-feira, 25/02, no Club Noir (Rua Augusta, 331). 20h. Pra mim será uma honra participar desse evento. Só não sei ainda quais poemas vou ler - acho que são dois ou três.

Quero aproveitar pra dar uma dica pra quem tem Facebook: nosso brother Jao Moonshine criou uma página para traduzir os poemas do Bukowski. Poemas estes que ele tem selecionado dos 38 livros inéditos no Brasil que ele trouxe no ano passado de Los Angeles. É Charles Bukowski - Poemas. As traduções são ótimas. Vá por mim. 

Até lá.