domingo, 23 de fevereiro de 2014

juntando os fiapos do cabelo dela.


juntando os fiapos do cabelo dela tentando me lembrar de suas explicações sobre a beleza e seus padrões. segundo ela, existe um padrão, e me falou de sociologia e antropologia. eu não tava entendo nada. bebaço em um boteco na São João, tentei argumentar. em vão. ela sacou. e seu sorriso desarmou qualquer tentativa de argumento sobre a beleza e seus padrões. o pior está sempre por vir. o melhor, também, e eu sabia coma ia terminar a noite. juntando os fiapos do cabelo dela com uma mão e sem habilidade alguma - não tenho com as duas, quanto mais com uma só - senti falta do casaquinho xadrez na cabeceira da cama quando acordei. ela sempre deixa rastros. dessa vez, os fiapos de seus negros cabelos. curtos. e eu adoro deslizar meus dedos puxando um monte deles; deve ser por isso que esses fiapos escorrem agora de minha mão, a direita, a única a funcionar. escrever assim é foda. tenho dito. ir ao médico me dá uma preguiça filha da puta. com ressaca, não rola. e quando esta passa, já tá na hora de voltar pro trampo. esses momentos são únicos e não tenho do que reclamar. a culpa é minha - sempre - e as revelações da menina do casaquinho xadrez me fizeram pensar em algo que está por vir, então tento me isolar por alguns instantes numa lan house enquanto ouço Nick Cave cantando "Slowly goes the night" e uma só mão funcionando e a corrida contra o tempo com a vida lá fora que não para de urgir com meus pensamentos difusos... minha mão esquerda dói agora. é impossível não querer usar um dos seus dedos e consigo por alguns instantes. logo, ela começa a reclamar. o pior está sempre por vir. o melhor, também, e eu sabia como ia terminar a noite.
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