quarta-feira, 30 de abril de 2014

cana na mesa de tapete verde.


Este texto foi postado na revista literária Mallarmargens no início deste ano. Trago agora pra cá.

cana na mesa de tapete verde.

de improviso. sob lágrimas entre suas pernas branquinhas e seu beijo com sabor de cana na mesa de tapete verde. olhar tristonho. incrível acreditar que o melhor momento do ano tenha sido assim: no fim (em meio ao cansaço). sem querer acreditar que não sou mais o mesmo. e querer lutar contra isto será em vão. o melhor é: paciência. as coisas vão. between planets bem alto tentando expulsar os demônios. diferente de lá: aos sussurros. (silêncio). brincadeiras. e aquela sensação de querer tentar melhorar as coisas. e tem que acontecer de novo (bem no fim). insuportável sensação. bem no fim. e mesmo sem saber onde isso vai parar: o texto. e você sem querer escrever, mas resta esta necessidade insuportável de teclar. e, pior: mostrar. "em sigilo é melhor, Buenas" -- um taurino com lua em leão não vai entender. será em vão. sensação semelhante só quando escrevi pra Blue Angel o meu primeiro poema de amor. ou seja: ferrou. agora, ferrou.

sábado, 26 de abril de 2014

Uma ideia.


Uma ideia. Aparentemente, uma simples ideia. E dessa vez vai valer. Monólogo: será um monólogo. Uma atriz no palco com uma direção precisa, limpa e sem cenário. Caixa preta montada há muito. Apenas o brilho de uma grande atriz. Dessas que brilham em qualquer lugar. Longe ou perto do palco, seu brilho irradia sempre. Cinco páginas de uma folha de papel a4 a espera. Foco na plateia. No teto. Nos lados - nunca pro chão. Meus personagens não olham pro chão. Já basta eu que vivo procurando por algo que sei que nunca vou encontrar. Estreia: maio. Ventos de maio que me trouxeram para a selva de pedras, agora traz minha primeira peça. Minha estreia como dramaturgo. Ousadia é que não me falta. Cara de pau por natureza, só tenho medo de ser confundido por um bandido na rua. Tenho medo de polícia, também. Polícia e bandido andam juntos na minha cabeça como gêmeos siameses (xifópagos). Eles não me enganam. Nunca me enganaram. Dia desses, dois policiais que fazem a segurança da minha rua, me pediram pra que eu encostasse na parede e colocasse as mãos para cima. Então eu mostrei a chave do portão: "Eu moro aqui". "Ah, você mora aí?". E me deixaram em paz. E tudo é uma questão de tempo. E eu sei que vai valer.

Até a próxima.

On The Rocks Recomenda.


Sempre gostei mais do Green mind, a começar pela capa - uma das mais belas da história - e do Without a sound. O tempo passou... E as coisas tendem a mudar. Tudo, ou quase tudo, muda. Eu, por exemplo, não bebo mais conhaque, nem as cervas da Ambev - salvo em raros momentos, a depender da companhia, é claro. O tempo, perverso, me fez enxergar que o melhor disco do Dino é o primeiro. Disparado! É perverso e implacável como o tempo (deixa rastros sem pena).

Ouça "Bulbs of passion", a faixa de abertura: www.youtube.com/watch?v=5LxBJxBo2Uk&hd=1 

Até a próxima.

terça-feira, 22 de abril de 2014

On The Rocks: seis anos hoje.


Este foi o primeiro post do On The Rocks. Postado numa manhã de uma terça-feira serena na casa de tia Anna, com auxílio do meu amigo Nelson Magalhães Filho, este foi só o começo de uma série de 543 posts, 2.862 comentários, 243 seguidores (declarados), 1.500 visualizações por mês (média), centenas de amigos (as) e cinco namoradas. Este é o saldo.

Eis o primeiro texto postado aqui em 2008.

Wander Wildner, uma lenda do rock gaúcho, lançou La Cancion Inesperada, seu mais recente álbum, aqui em Salvador, na companhia de sua guitarra e de Arthur de Faria, na gaita e acordeon, num show fraco e pouco inspirador. Talvez por estar conversando com amigos sobre minhas aventuras e desventuras pela Europa, não tenha prestado muita atenção no show. O álbum foi produzido pelas mãos de Berna Ceppas e Kassin, um dos melhores produtores do momento. A música "Um bom motivo" cita a mobilete vermelha - velho sonho de consumo teen - me fez lembrar das tardes de domingo sonhando com a pretty girl do colégio grudada na minha cintura. Tédio total nas tardes de uma cidade do interior. "Mares de cerveja" fala de "mares de esquecimento onde navegam cegos", velhas bebedeiras onde no dia seguinte você não consegue lembrar como chegou em casa, muito menos o que fez e disse antes de dormir. "Porta retratos" é uma das minhas favoritas: "Ela não tem mais as minhas fotos grudada nas paredes do seu quarto, eu vejo que nem porta retratos nunca mais". Massa a forma como Wander dá ênfase a "nunca mais". Os versos desse cara me lembra o velho Buk e seus poemas cortantes e encharcados de whiskey. Tem também uma homenagem à Graforréia Xilarmônica com "Amigo punk". Bacana. O recado para roqueirinhos radicais de plantão está em "O Reverendo rock gaúcho".

La Cancion Inesperada está à venda nas melhores casas do ramo. 

Visite a La Verga Del Buenas, meu blog de textos eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com

Até a próxima. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em outros tempos...

(By Carcarah). 
Em outros tempos seria diferente. Depois de um show de rock, e dos bons, deve ter coisa melhor pra se fazer do que voltar pra casa. Eu poderia ir até ao camarim e falar com os caras. Meu parça tava lá com eles. Até perguntei ao Carcarah se ele queria ir lá, mas ele preferiu seguir em frente e então ficamos na porta do SESC fazendo a resenha com o Kita e o brother que tava com o Carcah - não lembro o nome do brother. Havia um impasse de ir ou não pra Merça - é que eu soube ontem à noite que haviam lacrado as portas da Merça por causa da imbecil Lei do Psiu. O mundo está se tornando, aos poucos, um lugar chato e triste pra se viver. Não tenho dó na consciência por não juntar grana pra aproveitar no futuro. Não sou desses e o futuro é incerto. Então eu avanço o sinal sem arrependimentos. Daí que eu voltei pra casa e os caras seguiram para as suas. Uma vez em casa, abro minha cerva e fico por aqui... mas tem uma coisa que não me conformo: deve ter coisa melhor pra se fazer depois de assistir a um show de rock. Como nos velhos tempos. A cerva tá no ponto. É mais uma gringa. Trapista. Com a idade eu percebi que mereço. E tenho sido exigente quando sento pra beber. Não é frescura. Nem arrogância. É uma questão de você ter dado mais um passo adiante, prestes a completar quarenta e dois anos de idade, e poder escolher. Poder ser exigente. Acho que mereço. Mas deve ter coisa melhor pra se fazer depois de assistir a um show de rock em plena segunda-feira de um fim de um longo feriado em SP. Só não sei o quê.

Até a próxima.

sábado, 19 de abril de 2014

Record Store Day.


Sem giro dessa vez por lojas de discos. Dessa vez fui direto ao que me interessava: Velvet. Meu brother André chegou de Londres na quinta-feira e eu sabia que na bagagem estava meu pedido: Honey's dead (deluxe edition). O outro pedido: Mark Lanegan, Anthology, não veio. Este fica para a próxima semana. Em seu lugar, pra compensar, trouxe na sacola, colado no Honey's, o primeiro rebento do Grant Lee Phillips, Ladies' love oracle. Tão sublime quanto o primeiro da sua banda Grant Lee Buffalo, a obra-prima Fuzzy. Violões, piano, bateria (sutil), gaita, e voz, óbvio - o que Phillips tem de melhor pra nos oferecer de um dos melhores cantores de rock - circa 90. De lá para cá, há poucos que eu possa apontar. Que eu possa colocar em posição de "competição". É sadio. Sem porradas na mesa e alteração de voz - como nas discussões de mesa de bar onde cada um quer defender seu time ou sua banda preferida. Ando cansado de discussões desse tipo. Aliás, de qualquer tipo. O melhor a fazer, e é o que tenho feito, é ficar na minha. Tem muito fodão na área e pra não me zangar e perder meu dia, minha noite, fico no meu canto sossegado. Tenho bebido pouco. Cinco longs, duas doses de Jack, e mais duas cervas aqui em casa quando chego na madruga e fico sozinho ouvindo minhas bandas preferidas. Os caras e as damas que me acompanham nesta jornada há muito tempo. Goodbye yellow brick road, o compacto do Elton John que tinha lá em casa, eu só faltava furar de tanto colocar pra ouvir. Devia ter uns sete ou oito anos de idade e estes momentos marcantes continuam como se nada mudasse. Somente a idade e o lugar onde vivo hoje: SP. E não me vejo morando em outro lugar. Tava com saudade do teclado. Minha preguiça é feroz. Me arrebata, me joga na cama onde fico com um livro aberto sobre minha barriga com meus olhos semicerrados e a mente tranquila. Sem problemas. Eu vivo desse jeito mesmo: sossegado. Sem ninguém aqui pra me encher o saco. E o Phillips sussurrando versos belíssimos. Romântico por natureza, não muito diferente deste ser que vos escreve, parece levar uma vida tranquila. Às vezes penso que isto incomoda. Vejo na cara das pessoas. Viver em paz. Sossegado. Tem gente que se incomoda - já percebi. Mas eu não tô nem aí. Tô é aqui salivando a próxima cerva que acabei de colocar pra gelar: Biritis, do Mussum (um dos ídolos da minha infância). Bebedor contumaz e triste. Assim como eu.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Duas canções arrebatadoras.

(Sebadoh).

"I will", a primeira delas, é do Sebadoh - banda do baixista Lou Barlow (Dinosaur Jr. e Folk Implosion) - que toca este mês aqui em SP (ingressos esgotados). Consegui comprar o meu porque fiquei contando as horas para a bilheteria do SESC abrir. Saí de lá com um longo sorriso estampado na cara - será mais um show pro meu currículo.

Coisas que nunca me cansa: assistir show das bandas que gosto, e comprar discos - sim, ainda compro. Nem tanto, mas compro. 

"I will" é belíssima. Fico tentando decorar a letra pra poder cantar no dia do show. Acho que consigo. Será na próxima segunda-feira. Tem outro um dia antes, mas não vou poder ir; só na segunda, mesmo. O que tá bom demais.

A outra é "Algiers" da banda The Afghan Whigs - que se apresenta aqui no dia 22 de maio. Três dias depois, será a vez do The Jesus and Mary Chain.

Ambas têm clips muito bons. Vejo todos os dias várias vezes. Eu tô mais a fim de mostrar essas canções do que escrever.

Os clips estão nesses links. Se não conseguir abrir, copie e cole no navegador.

I will: www.youtube.com/watch?v=UBWWL0nh9kI

Algiers: www.youtube.com/watch?v=ovhzeqIaggY

Até a próxima.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

De Nico para Iggy Pop.


"Você tem um problema. Você não está cheio de veneno. Como você pode se apresentar se não está cheio de veneno? Nós não queremos ver uma pessoa no palco, queremos ver uma performance, e o veneno é a essência do artista".

Do livro Dangerous Glitter - Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao inferno e salvaram o rock 'n' roll (pág. 90).

sábado, 5 de abril de 2014

Mark Lanegan - One Way Street.


Pra aumentar a preguiça filha da puta de sair de casa. Tenho saído porque é necessário. Por mim, ficaria aqui - na minha - curtindo meus discos e minhas cervas artesanais e importadas. Meu Jack, livros e filmes. The Lats Waltz, O Último Concerto de Rock, do meu lado e uma amber lager do outro. É foda saber que vou ter que sair mais tarde - não que eu não goste de trampar de noite lá no teatro - mas é que tem dias que sair de casa, só de pensar, bate um tédio sem precedentes. Por mim eu ficaria aqui bebendo minha cerva, ouvindo Lanegan e assistindo The Last Waltz.

Link para ouvir "One way street": https://www.youtube.com/watch?v=gb-H4SkoBxQ&hd=1

On The Rocks Recomenda.


Debbie Harry está na capa da MOJO deste mês. No encarte, um grande brinde: o CD "Death Disco" com as bandas PIL, Felt, Sonic Youth, Pere Ubu, The Fall, Young Marble Giants, Cabaret Voltaire e The Durutti Column, entre outros. No recheio, Blondie (claro), David Bowie, Post-Punk, Damon Albarn, Afghan Whigs, e mais. Muito mais.

Visite a La Verga, meu blog de poemas eróticos: www.lavergadelbuenas.blogspot.com.

Até a próxima.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mondo Massari na Buenas Bookstore.


Recebi agora o tão aguardado Mondo Massari - mais novo livro do Fábio Massari, o Reverendo, lançado pela Edições Ideal (depois falo sobre o catálogo da editora). Acabei de acordar e me deparo com um pacote em cima da pia da cozinha. Meu brother recebeu a mercadoria e ficou na dele - é que ele sabe que eu durmo no fim da madruga e por isso mesmo preciso dormir até tarde, caso contrário meu dia não acontece e meu humor só piora - a turma sacou na semana passada. Eu tava estranho. Nem mesmo eu sabia o que estava acontecendo. Somente agora sei: é que eu tava dormindo tarde e acordando cedo. No automático. Queria dormir mais mas não conseguia e não sabia o motivo. Continuo não sabendo. Então escovei os dentes apressadamente e tomei café na velocidade da luz. Eu já sabia o que estava dentro daquela caixa de papelão, pequena, mas com um conteúdo fora de série. Mondo Massari entre eles. No livro, há entrevistas, resenhas e divagações de um dos jornalistas mais respeitados do país. No quesito música, diria que Massari está entre os cinco mais. Tento me lembrar de alguns importantes pra nossa cultura musical no Brasil e só consigo me lembrar de Celso Pucci, Pepe Escobar, Fernando Naporano e Alex Antunes, além do Reverendo. Em seguida, após abrir a caixa e folhear atentamente o livro, entrei no Facebook pra avisar a editora que a encomenda havia acabado de chegar. Conversei com uma funcionária da editora e ela me perguntou curiosa o que eu fazia da vida. Respondi que passo o dia lendo, ouvindo música, assistindo filme e escrevendo. À noite, vou ao teatro vender livros, discos e beber com a turma. Ela disse que minha vida é simples e boa. E é mesmo. E quando essas encomendas batem à minha porta, as coisas só melhoram. Agora vou "devorar" o Mondo Massari - depois escrevo sobre o livro.

Buenas!