sábado, 19 de abril de 2014

Record Store Day.


Sem giro dessa vez por lojas de discos. Dessa vez fui direto ao que me interessava: Velvet. Meu brother André chegou de Londres na quinta-feira e eu sabia que na bagagem estava meu pedido: Honey's dead (deluxe edition). O outro pedido: Mark Lanegan, Anthology, não veio. Este fica para a próxima semana. Em seu lugar, pra compensar, trouxe na sacola, colado no Honey's, o primeiro rebento do Grant Lee Phillips, Ladies' love oracle. Tão sublime quanto o primeiro da sua banda Grant Lee Buffalo, a obra-prima Fuzzy. Violões, piano, bateria (sutil), gaita, e voz, óbvio - o que Phillips tem de melhor pra nos oferecer de um dos melhores cantores de rock - circa 90. De lá para cá, há poucos que eu possa apontar. Que eu possa colocar em posição de "competição". É sadio. Sem porradas na mesa e alteração de voz - como nas discussões de mesa de bar onde cada um quer defender seu time ou sua banda preferida. Ando cansado de discussões desse tipo. Aliás, de qualquer tipo. O melhor a fazer, e é o que tenho feito, é ficar na minha. Tem muito fodão na área e pra não me zangar e perder meu dia, minha noite, fico no meu canto sossegado. Tenho bebido pouco. Cinco longs, duas doses de Jack, e mais duas cervas aqui em casa quando chego na madruga e fico sozinho ouvindo minhas bandas preferidas. Os caras e as damas que me acompanham nesta jornada há muito tempo. Goodbye yellow brick road, o compacto do Elton John que tinha lá em casa, eu só faltava furar de tanto colocar pra ouvir. Devia ter uns sete ou oito anos de idade e estes momentos marcantes continuam como se nada mudasse. Somente a idade e o lugar onde vivo hoje: SP. E não me vejo morando em outro lugar. Tava com saudade do teclado. Minha preguiça é feroz. Me arrebata, me joga na cama onde fico com um livro aberto sobre minha barriga com meus olhos semicerrados e a mente tranquila. Sem problemas. Eu vivo desse jeito mesmo: sossegado. Sem ninguém aqui pra me encher o saco. E o Phillips sussurrando versos belíssimos. Romântico por natureza, não muito diferente deste ser que vos escreve, parece levar uma vida tranquila. Às vezes penso que isto incomoda. Vejo na cara das pessoas. Viver em paz. Sossegado. Tem gente que se incomoda - já percebi. Mas eu não tô nem aí. Tô é aqui salivando a próxima cerva que acabei de colocar pra gelar: Biritis, do Mussum (um dos ídolos da minha infância). Bebedor contumaz e triste. Assim como eu.
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