sábado, 26 de abril de 2014

Uma ideia.


Uma ideia. Aparentemente, uma simples ideia. E dessa vez vai valer. Monólogo: será um monólogo. Uma atriz no palco com uma direção precisa, limpa e sem cenário. Caixa preta montada há muito. Apenas o brilho de uma grande atriz. Dessas que brilham em qualquer lugar. Longe ou perto do palco, seu brilho irradia sempre. Cinco páginas de uma folha de papel a4 a espera. Foco na plateia. No teto. Nos lados - nunca pro chão. Meus personagens não olham pro chão. Já basta eu que vivo procurando por algo que sei que nunca vou encontrar. Estreia: maio. Ventos de maio que me trouxeram para a selva de pedras, agora traz minha primeira peça. Minha estreia como dramaturgo. Ousadia é que não me falta. Cara de pau por natureza, só tenho medo de ser confundido por um bandido na rua. Tenho medo de polícia, também. Polícia e bandido andam juntos na minha cabeça como gêmeos siameses (xifópagos). Eles não me enganam. Nunca me enganaram. Dia desses, dois policiais que fazem a segurança da minha rua, me pediram pra que eu encostasse na parede e colocasse as mãos para cima. Então eu mostrei a chave do portão: "Eu moro aqui". "Ah, você mora aí?". E me deixaram em paz. E tudo é uma questão de tempo. E eu sei que vai valer.

Até a próxima.
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