domingo, 4 de maio de 2014

São duas e vinte da madruga.


Vou tatuar uma coruja no meu braço. A coruja diz muito do que sou. Minha mãe me chama de "Corujão da madrugada" desde pequeno. É que ela e meu irmão iam dormir e eu ficava assistindo TV. Tempos depois, vieram os discos e os livros, minhas companhias na madruga. Estes não desgrudam. Agora, e isto faz uns bons seis anos, veio o computador. Com ele criei dois blogs e entrei em redes sociais e salas de bate-papo - a cerva sempre presente. É que eu não navego sóbrio. Não vejo muita diferença daqui pro "real". Preciso dela. Sem ela não dá. As coisas melhoram quando a loira - às vezes a preta - circula livre em minhas artérias. As máscaras estão em toda parte. Também tenho a minha. Tenho meus preconceitos - não suporto banda de rock cantando em espanhol - entre outras coisas. Não fiquei surpreso com o caso da banana jogada no jogador de futebol. Sempre soube que o Brasil é visto lá fora pela maior parte dos estrangeiros como terra de índio, pretos, jogador de futebol, praia, samba e puta. Não me chocou o arremesso da banana. E ri dos textos dos intelectuais sobre o assunto. Curti a indignação deles e da forma como a notícia foi dada. Eu me divirto com tudo isso. Prometi a mim mesmo que não vou mais meter o pau nos posts que vejo aqui e em mais nada. Mas não consigo ficar quieto por muito tempo. Sou humano - cheio de defeitos e preconceitos. Minha máscara não derrete nem quando o cérebro ferve. E não adianta ferver. Não vale a pena. Então eu fico por aqui bebendo minha cerva. Lendo de tudo. Ou quase tudo. Leio só o que me interessa. A coruja parece me representar bem. Sou notívago desde pequeno. Desde os tempos em que ouvia o canto dos galos nos arredores da casa dos meus avós onde passava as férias com meu irmão. Este mesmo canto que mexia comigo quando terminava de ler um livro. Ler o final de "On The Road" e "Subterrâneos" ao som dos galos foi emocionante. Costumo me emocionar com tudo que toca meu coração e não consigo disfarçar na mesa do bar quando estou acompanhado. Filmes como flashback passam em minha mente. E a coruja será minha primeira tatuagem. No braço. Dizem que quando a gente passa dos quarenta as coisas mudam. Não à toa sou chamado de safado. Mas eu não creio na minha safadeza. É como uma coruja no escuro: enxerga muito bem e só se desloca do seu canto quando algo chama atenção. É isso. Acho que a coruja me representa muito mais do que simplesmente ser um notívago.

Até a próxima.
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