segunda-feira, 30 de junho de 2014

Hoje é dia de Merça.


É na mercearia São Pedro que a gente se reúne toda segunda-feira. Batemos ponto sempre às segundas. Poderíamos chamá-la de "Clube do Bolinha". Só que não. Mulheres são bem-vindas. Sempre. Não somos radicais. Mas é estranho quando uma aparece. Estranho porque a gente fica inibido pra falar coisas que só falamos na frente dos amigos. Eu travo. Alguns travam. Elas se sentem à vontade. Gosto da presença de algumas. Das que entendem o espírito das nossas reuniões. Eu conheci a Merça há três anos atrás quando aqui cheguei. É que eu fiquei hospedado na Vila Madalena a poucos metros de lá. Foi lá que comecei a beber com o Marião Bortolotto, hoje meu amigo. Gosto de saber que Efraim Medina Reyes e Pedro Juan Gutierrez já beberam lá com ele. Ele conta pra gente. Entre outras figuraças. Outros grandes escritores. Reinaldo Moraes e Marcelo Mirisola são frequentadores - Mirisola, cê tá devendo uma visita! Então a gente fica lá batendo papo e bebendo. Nossa mesa é o freezer de sorvetes que fica no fundo do bar. A gente fica ali, e sempre aparece um perdido procurando a porta do banheiro. Acreditem: tem muita gente que não sabe onde fica o banheiro. A gente aponta. Observa o andar e o rebolada das meninas. A gente só observa. Não rola gracinhas e cantadas deselegantes. Como é de costume as mulheres ouvirem nos bares. A gente fica no nosso canto bebendo e botando os papos em dia; é como se não tivéssemos tempo no Cemitério. Eu vejo as caras dos amigos quase que diariamente e a impressão é que parece que tem muito tempo que a gente não se encontra. Haja conversa. Parece que não vai acabar nunca. E depois tem o chopp escuro no Filial. Às vezes, a saideira no bar do Marcelo ou no Biro's. E os assuntos nunca morrem. É impressionante. Eu vejo a cara do Marião todos os dias. Eu disse: todos os dias. E a gente tem sempre um assunto novo. Uma resenha a fazer e as zoeiras não param. Da última, ele disparou que quando eu morrer vai mandar fazer uma inscrição na minha lápide, assim: "Aqui jaz Tarcísio Buenas, o cara que tinha a manha". O senhor Lucas Mayor adora me zoar. Ele fica sempre atento ao que o Marião vai dizer. Ele fica ali como se estivesse na espreita e o Jao Moonshine atazanando mais ainda. Só tem FDP - Kitagawa é o mais tranquilo. Kita é japa. Deve ser por isso. E como eu gosto de beber com essa turma.

Até a próxima.
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