quarta-feira, 4 de junho de 2014

Livro de cabeceira.


Legs McNeil e Gillian McCain - Mate-me por favor (Uma história sem censura do Punk).

"Patti Smith: O que me fez ter esperança no futuro da poesia foi o concerto dos Rolling Stones que vi no Madison Square Garden. Jagger estava cansado e todo detonado. Era uma terça-feira, ele tinha feito dois shows e estava de fato à beira de um colapso - mas o tipo de colapso que transcende pra mágica. Jagger estava tão cansado que precisou da energia da plateia. Não foi um roqueiro naquela noite. Ele esteve mais perto de ser um poeta do que jamais estivera, porque estava tão cansado que mal conseguia cantar. Adoro a música dos Rolling Stones, mas o principal não foi a música, mas a performance, a performance visceral. Foi a performance visceral dele, o ritmo, a movimentação, a fala - ele estava muito cansado, dizia coisas do tipo: "Very warm here/warm warm warm/it's very hot here/hot, hot/New York, New York, New York/band, bang, bang." (Muito quente aqui/quente quente quente/faz muito calor aqui/calor calor/Nova York, Nova York, York/banda, bang, bang). Quer dizer, nada daquela coisa foi genial - foi a presença e a força dele que mantiveram a audiência na palma de sua mão. Havia eletricidade. Se os Rolling Stones tivessem ido embora e deixado Mick Jagger sozinho, ele teria sido maravilhoso como qualquer poeta naquela noite. Teria falado alguma de suas melhores letras e mantido a plateia magnetizada. E aquilo me entusiasmou tanto que quase me despedacei, porque vi todo o futuro da poesia. Vi e senti de verdade, fiquei tão empolgada que mal cabia em mim, e isto me deu força pra seguir em frente". (pág. 177).

Até a próxima.

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