domingo, 29 de junho de 2014

Quem eu queria que fosse não foi.


Encostado sozinho no balcão, senti falta de muita gente. Dos meus. Quando eu comecei a frequentar os shows da Saco de Ratos, era diferente. O público agora é outro. Aqueles aos quais eu me confidenciava na porta do Noir e ouvia confissões bêbadas na porta do banheiro, não estavam lá. Quem eu queria que fosse não foi. O público mudou. No momento em que os caras tocaram "Balada do velho quarteirão" rolou um flashback fodido. A banda, afinada como sempre, estava. O problema não é a banda. Quem eu queria que fosse não foi. Fiquei bêbado com pouco. Bebi pouco e já visualizava minha cama quando entrei no táxi. Com a língua embolada, guiei o taxista torcendo pra que chegasse logo em casa e me lembrando do Marião e do Pagotto me chamando pro Cemitério. Os caras queriam ir pra lá. O Marião queria abrir o bar no cu da madruga. Eu não tinha condições de seguir com eles. De ficar em pé. Queria minha cama. Visualizava o tempo todo minha cama. Eu mudo. Sei. E tenho mudado muito ultimamente. Bebido pouco. Ficado pouco tempo na rua. Deve ser a idade. Não sei. Deve ser. Deve ser o acúmulo de uma vida na boêmia. Desde cedo. Desde o tempo em que eu pedia grana lá em casa pra beber com os meus amigos. Ouvia meus discos sentado na poltrona pensando nos amores. Romântico por natureza, eu escrevia pra elas e depois jogava as cartas e bilhetes no lixo. E quem eu queria que fosse não foi.
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