quinta-feira, 31 de julho de 2014

Amor é caos e ambivalência.

(Na foto: Nancy e Sid) 

Houve um tempo que eu pensei que você fosse minha. Quando a gente ficava abraçados rindo da cara do outro. Quando das suas reclamações. Quando. Vivo me iludindo e perdendo. Apanhando. Você não é minha e não vai ser -- fiquei irado pensando na gente. Nessa loucura que é amar. Amar é foda. Acredito mesmo que amor seja isso: caos e ambivalência. Não acredito em amor tranquilo. Acredito no caos e na ambivalência. Terremoto.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Trilha da madruga: Little Milton & Lucinda Williams.

(Little Milton).

Versão matadora pra "Love hurts". A melhor. Lucinda melhora ainda mais as coisas. Little prepara a cama. Deixa tudo pronto. Ela é quem vai fazer acontecer. E me pego pensando na noite. De como foi a noite. Quantas coisas... Amigos destruindo na mesa e eu me lembrando que não gosto de rotina. Rotina é uma coisa que me incomoda. Me deixa mal. Pra baixo. A única rotina que gosto é ir para a Merça às segundas-feiras, e depois, pro Filial. À noite, sempre às terças, trampo no bar. Sou o barman do Cemitério de Automóveis. Coisa que não gosto de fazer. Já falei pra turma. Mesmo assim eu vou. Eles são legais comigo. Gente boa. Todos são. E eu gosto deles. Por isso vou. Mas é que bar é bacana você curtir do lado de fora do balcão. Do lado de dentro, não é. É diferente. Às vezes chega a ser estressante. Incomoda isso. De ser estressante. É que tem cada gente chata e mala que não tá no gibi. Nem no gibi. Tudo, menos no gibi. Duvido que esteja no gibi. Mas eu vou. Fechei com eles: toda terça-feira eu sou o barman do Cemitério. E como é bom ter uma rotina às segundas. A única que vale a pena. E minha ida à Merça tem valido. Fora isso, trampar na Buenas Bookstore é outra que eu curto pra caramba. Mas é diferente. Na Bookstore, quando eu tô de saco cheio das coisas, não vou. Eu me permito a escolher se vou, ou não. E rotina, a minha, só é boa mesmo às segundas-feiras.

Até a próxima.

sábado, 19 de julho de 2014

Trilha do dia: Reverendo T. & Os Discípulos Descrentes.

(Na foto: André Luiz Sa~tos).
 
"Broto Democrático" é uma homenagem ao poeta André Luiz Sa~tos. E é o novo single de Tony Lopes, o Reverendo, seu irmão. André nos deixou em 1983. Tinha 23 anos. Mesma idade que Ian Curtis e Antônio Mariane, meu pai, tinham quando faleceram alguns anos antes. Dizem que os bons morrem jovens... Eu não tenho dúvida alguma disso.
 
Aqui, uma poesia de André:
 
as aves são assim
meio tolas
meio voadoras
elas são mesmo
bobas e tolas
 
fazer churrasco das passarinhas
não seria o sim do não
pois eu sei o quanto sérias
elas são
 
voando no vento
ou chorando no chão
as aves são assim
aprontam
e pronto
 
mas eu sou
um caçador escroto
me visto de alpiste
e meto chumbo grosso.
 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Diário de bordo (3ª parte). Sesimbra, 2008.

 
Ontem eu conheci Sesimbra, uma vila que fica aqui perto. A arquitetura dos hotéis e bares é rústica e lembra um pouco o Pelourinho. Bebi umas cervas com Léo, Nena e Claus. Tô curtindo Portugal, mas fico com minha cabeça em Londres. Não consigo pensar em outra coisa. Falei com Tati ontem e ela me pediu para transferir a passagem para o domingo, pois Rory vai estar na Suíça e só retorna no sábado. Se pedirem o telefone deles, Rory vai estar lá para atender. Melhor assim. Vou tentar transferir a passagem ainda hoje.

Os brasileiros que eu conheci aqui trabalham duro, mas mesmo assim não reclamam e não falam em voltar para o Brasil tão cedo. O dinheiro é precioso. Tive que pagar quarenta euros para ficar na casa de Léo. Tô dormindo no quarto de Lu, uma mineira que mora com eles e Gina, prima de Moloko. Claus me disse que as coisas aqui são assim mesmo, e que não é por maldade, e sim por uma questão de sobrevivência.
 
Na sexta-feira dei um giro pelo centro da cidade... Conheci umas lojas de discos no Chiado, um bairro tradicional, e pirei. Em uma dessas lojas, perguntei a um dos vendedores onde ficava os discos do Sonic Youth e ele não conhecia a banda -- teve que perguntar para um colega.
 
(Se as coisas não derem certo em Londres, vou voltar e ficar por aqui).
 
Tô teclando do computador de Gina. Ela saiu. Acho que foi pegar o filho dela na escola. Não tem comida pronta. Acho que vou comer um sanduba. Tá frio lá fora -- do jeito que eu gosto. Léo tá sem internet. Na rua é caro, aliás, tudo é caro. A cerva é bacana e o clima me agrada.
 
P.S: O Yahoo apagou os outros diários que escrevi na Europa em 2008. Paciência.
 
Até a próxima. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Elas podem tudo.

(Esta foto foi tirada na "Marcha das vadias" em 2011. Av. Paulista, SP).
 
Ontem, na porta do teatro, um brother veio desabafar comigo. O cara tava consternado porque em sua última transa a mulher se negou a ficar de quatro. "Ficar de quatro é uma posição machista e a mulher fica vulnerável". É isso aí mesmo que você leu -- isto foi o que ela disse pra ele. Me deu vontade de rir. Só que ele tava tão pra baixo que eu preferi segurar a onda. "Meu caro, elas podem tudo", mandei essa. Ele continuou sério. E me lembrei de um dos meus últimos textos em que afirmo que "Mulher que faz doce é foda". Imediatamente recebi uma mensagem me chamando de machista. Ser machista ou parecer machista é feio. Não é legal. Legal é ser feminista. Ele, quando viu que eu tava de boa e comecei a rir de coisas que tenho visto por aqui, começou a rir também. "Brother, não vale a pena se estressar com a mulherada. Elas vão sempre ter razão. Vá por mim", eu disse, e começamos a citar vários exemplos das feministas do Facebook. Uma amiga em comum postou na semana passada que tá cheia de ouvir dos caras que as mulheres são chatas. E completou: "O que a gente quer é somente um corpo pra gozar e continuar felizes". Foi o que ela disse na página dela. Ela vai ler isso -- toda a turma viu -- e vai comentar comigo na Merça. Sei que vai. Ela é chegada (é minha amiga). Inevitável não escrever isto aqui. Isto é só pra lembrar como estão as coisas. Se a gente escreve um troço desses, é capaz de bloquearem a gente ou até mesmo jogarem pedras no meio da rua na nossa cabeça. Elas podem tudo. Na semana passada, outra amiga disse não ter curtido "Pornopopéia", do Reinaldo Moraes, porque é um livro "de meninos". É, elas podem tudo. E pra fechar, uma frequentadora do teatro ficou com raiva de um dos atores porque ele não quis nada com ela. Detalhe: o cara é comprometido e vai se casar em breve. Ela sabe, mas não tá nem aí. E ainda chamou o cara de gay. Enfim, elas podem tudo.
 
Até a próxima.

domingo, 13 de julho de 2014

Buenas Radio - n° 36 (Especial 13 de julho, dia do rock).

Buenas Radio - n° 36. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

Trilha do dia: Kiss.


(Capa do primeiro álbum do Kiss).
 
"Se você passar por alguém vestindo uma camiseta do Kiss, pode cumprimentar que é gente fina". É mais ou menos assim que o senhor André Barcinski encerra o texto sobre Destroyer, clássico álbum dos mascarados que tocaram pela primeira no Brasil em 1982 no Maracanã. Eu me lembro desse show. Lembro do impacto do visual. Passou na televisão. Era um sábado. De tarde. Acho. Então, na seção Discoteca Básica da Bizz, Barcinski mandou essa. E deve ser verdade mesmo. É que todo mundo que eu conheço que tem uma camiseta do Kiss é gente fina. Meu amigo Sugar é um dos caras mais legais que eu conheço em SP. O Sugar é gente fina. Garanto (ele tem uma camiseta do Kiss). E deve ser a força do som que atrae gente como ele. Talvez seja. O Kiss não brinca em serviço. Ouço há muitos anos. E me pego pensando "Por que eu não tenho uma camiseta da banda?" - é que dizem que eu sou gente fina. Então eu vou comprar uma pra fazer jus ao que disse o Barcinski. Colecionar camisetas com estampas de bandas é comigo mesmo. Devo ter umas trinta. Nunca contei. Mas deve ser umas trinta mesmo. As últimas foram: uma do Lester Bangs, jornalista e escritor rocker por excelência, uma do Motorhead e outra do Morphine. A do Husker Dü tá na mira. E a do Dr. Feelgood, também.

Comecei a escrever este texto porque me lembrei do Kiss e me deu vontade de ouvi-los. O Kiss é umas das bandas mais legais que eu conheço. A sensação que me dá toda vez que ouço um disco deles, é que eles vieram ao mundo com o intuito de divertir a moçada. De fazer muita gente sorrir por aí sem motivo aparente. De comemorar e brindar a vida.
 
 
Até a próxima.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Trilha da madruga: Declinium.

 
Marte, novo EP da banda Declinium, é a minha dica para a madruga. Rock da melhor estirpe baiana, de Camaçari, esses caras são responsáveis pela minha trilha das últimas noites - solitárias, entediantes e sem esperança alguma de melhoras - semelhantes ao que sai do vocal de Oreah Chinaski.
Amarguradas minhas madrugas não são. Quem tem o costume de carregar a geladeira com cervas e nunca deixa o Jack acabar, não tem do que reclamar; e eu não estou reclamando. É só uma alusão ao som da banda. Som este influenciado por bandas inglesas que eu adoro. Indie, ou College band - para os mais velhos - sujeitos como eu que viu este termo decolar na primeira metade dos anos oitenta para classificar bandas formadas em universidades, gravando por gravadoras independentes - daí o termo indie popularizado nos anos noventa.
 
Até a próxima.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Os amores do meu amigo.

(Art: João Pinheiro).

(Para um amigo que admiro muito) 

Meu amigo ama demais 
Meu amigo não consegue decidir com quem ficar 
Ele ama demais
E como ama... 
Ama a noiva (são onze anos de noivado) 
E a amante intensamente 
Ele ama como ninguém 
Os amores do meu amigo são diferentes 
Elas a amam do seu jeito
Do jeito que o meu amigo, um grande cara, merece 
Meu amigo merece os amores que tem 
Meu amigo ama demais 
Os amores do meu amigo são assim: especiais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Você bebe todos os dias?


- Você bebe todos os dias?
- Bebo. 
- Vai morrer cedo. Seu fígado não vai aguentar.

Voltei pra casa com essa. Antes, já tinha ouvido que o meu problema é falta de sexo. Eu ri quando ouvi isso. Só me resta rir nessas horas; e ri muito. Eu não sei o que acontece quando alguém resolve falar coisas desse tipo mesmo sem me conhecer direito. Sem saber do meu passado nem do meu presente. Gente que presume que sabe (deveriam pensar antes de falar asneiras como essas). Meu pai morreu com vinte e três anos e raramente bebia. Meu avô paterno morreu com oitenta e dois e bebia todos os dias. Todos os dias ele mandava doses e mais doses de cachaça pra dentro. Isto sem falar nos meus tios - exímios bebedores - que continuam vivos. Não tô dizendo que vou morrer velho como meu avô. Não é isso. São as asneiras. Cada coisa que a gente ouve... Quero que ela saiba que vou continuar entornando copos e mais copos da minha sagrada cerva e do meu Jack, fiel companhia. No mais, que se foda.

Até a próxima.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Barulho.

(Procol Harum).
 
Barulho. Só muito barulho pra me fazer acordar cedo. Dois caras discutem no estacionamento chamando atenção de todos. Não gosto de acordar cedo. Gosto de acordar tarde. Preciso. Caso contrário, meu humor, que não é dos melhores, piora. Você não vai suportar me encontrar de manhã cedo. Ninguém suporta. Minhas ex-namoradas torciam o bico. Reclamavam. Como se fosse mudar. Não muda. Isto, não. Coloco o headphone. Agora que os problemáticos me acordaram não tem como voltar a dormir. Agora, não. Talvez depois do almoço ou no final da tarde. E a discussão parece que começou por causa de uma vaga. Vaga. Imagine. Dois caras discutindo às nove da matina por causa de uma vaga. Foda. E eu aqui aceso. Procol Harum é a saída. Lembrei agora de "A whiter shade of pale", perfeita balada setentista. Foi trilha do filmaço "Contos de Nova York" (da primeira história). De Coppola. Personagem: Lionel. E os caras só faltam sair na mão. Deve ser falta de álcool no sangue. Ou sexo. Talvez seja falta de sexo. Problema financeiro... Não sei. Sei que é foda justamente às nove da matina bem embaixo da minha janela.

"A whiter shade of pale": www.youtube.com/watch?v=Mb3iPP-tHdA&hd=1

Até a próxima.