domingo, 31 de agosto de 2014

Buenas Radio - n° 43.

Buenas Radio - n° 43. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark

Trilha do dia: Nina Simone.


Mr Bojangles by Nina Simone on Grooveshark

É essencial ouvir "Mr. Bojangles" com Nina Simone aos domingos quando acordo. Ouvir esta perfeição quando acordo é como tomar café forte com bolo de chocolate. É essencial. Adoro. E tem que ter uma fatia de queijo em cima. Somente depois é que vou começar a minha leitura do dia. Tô lendo, ainda, "Hosana na Sarjeta" do Marcelo Mirisola -- é que interrompi a leitura para ler, mais uma vez, o "Alma Beat", a bíblia sobre a "beat generation" no Brasil. Definitivo. Então, só depois de ouvir Nina Simone cantar "Mr. Bojangles", a perfeição da natureza em forma de música, em forma de arte, é que vou começar os afazeres do dia. É isso.

Desejo a todos um bom dia.

sábado, 30 de agosto de 2014

Betty em Amsterdam.

(Na foto: Béatrice Dalle).

Acabo de acender uma vela para Jack Kerouac. Voltei a ler os essenciais "Big Sur" e o "Alma Beat". Tenho escrito para personagens que têm vida própria mas que estão longe do meu alcance, assim como você vivendo na melancólica Amsterdam, sozinha, sonhando em ser reconhecida mundialmente. Adoro suas pinturas. Tô com o livro "68 contos" do Raymond Carver aqui comigo. Li o primeiro conto. Somente. Pois só consigo pensar em Kerouac agora. Leio pouco os contemporâneos. A maioria é rasa -- não é o caso do Carver. Adoro Eddie Bunker, Efraim Medina e o Pedro Juan Gutiérrez. Esses caras urgem. Fazem valer. O que eu quero mesmo neste momento é esquecer de mim só pra ver como as coisas ficam. Imagino que deve ser bem melhor sem minha presença. Jane Birkin tá aqui em SP. É provável que a gente beba na Augusta. Incrível como esta cidade é enorme, mas todos só falam na Augusta. Você tá vendo como o mundo é limitado? Em Amsterdam deve ser assim, não? O mundo tá se tornando cada vez mais um lugar desprezível. Soube que foi proibido fumar maconha nas ruas dessa cidade que você adotou como sua. É verdade, Betty? Te vejo angustiada trancada dentro de casa. Nostálgica. Dia desses vi a Debbie, sua melhor amiga, na famosa Augusta. Tô prestes a me mudar. Vou sentir saudade daqui, o segundo lugar que me acolheu na Selva de pedra. Não tenho almoçado ultimamente. Acordo ao meio-dia, tomo café e abro o livro. Passo horas lendo "Big Sur". Costumo ler devagar, como se estivesse saboreando cada letra, cada palavra.

* * *

Reescrevi este texto recentemente. O original foi postado aqui em 2012.

Até a próxima.

sábado, 23 de agosto de 2014

HOJE (Agenda para profissionais).


Lançamento do livro "tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro" de Bruno Bandido no teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384). 20H.

Depois, tem a peça "Killer Joe" às 21:30H -- lá mesmo. 

E depois, tem show da "Saco de Ratos" no Club Noir (Augusta, 331). Meia-noite.

Um poema do Bruno:

"amém em toda rodoviária
em todo ônibus circular
há sempre uma mulher
com quem eu poderia dormir. 
foder a noite inteira
até colocar tudo pra fora
junto com a inevitável
beleza.
em toda rodoviária
em todo ônibus circular
há sempre
a possibilidade da beleza.
um cansaço imberbe e aliviado - 
nem que lutássemos
seríamos impunes". 

Até a próxima.

sábado, 9 de agosto de 2014

Trilha da noite: Eric Burdon and The Animals - Many rivers to cross.

(Eric Burdon and The Animals).

Mr. Burdon tem uma das vozes mais pungentes da história do rock. Conheci esta canção através do meu amigo Miguel Cordeiro. "Many rivers to cross" está no album "Before we were so rudely interrupted" que ele me emprestou. Nessa época eu vendia discos pra pagar as contas. Ouvia música o dia todo -- de noite não era diferente. Morava sozinho nos Barris, ao lado da Biblioteca Central que fica em frente ao boteco do Espanha. Melhor localização não existia em Salvador naquela época. Acordei pensando nessa balada. Uma das mais belas que eu conheço. Se tivesse que fazer uma lista com dez canções de rock matadoras, certamente "Many rivers to cross" estaria nela. Então, eu vendia discos pra pagar as contas. E ouvia música o tempo todo. Como se fosse diferente agora. Só que hoje ao invés de vender discos pra pagar as contas, eu vendo livros e o círculo vicioso continua o mesmo: música, livros, filmes e aditivos etílicos. Como se fosse diferente. Como se nunca tivesse sido assim.

Ouça aqui: www.youtube.com/watch?v=IUc7WHHbyeM

* * *

Eu deletei o post anterior sobre a canção "It's all over now, baby blue", sem querer. Como não salvei, acabei perdendo. Perder parece ser a minha sina.

Até a próxima.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Trilha da madruga: Nick Cave and The Bad Seeds - Live from KCRW (2013).


Foi minha amiga Isabela Viana Bortolotto quem me indicou a "Germânia 55", cerva produzida em Vinhedo, interior de São Paulo. Não é das minhas. Mas valeu, Bela. Tô curtindo.

Meu amigo Grima Grimaldi trouxe de Londres dois álbuns de Mr. Cave em companhia dos "The Bad Seeds" -- a maior banda de apoio do planeta -- depois dos Crazy Horses, é claro. Grande presente, meu rei. Ele esteve hoje no teatro. Conversamos um pouco. Na verdade, fiquei prestando atenção de como foram seus dias em terras britânicas. Eu e o Marião Bortolotto, que ganhou um LP raro de Bob Dylan de presente. Grima estava animado. Tá na cara que a viagem fez bem pra ele. Mas quando é que uma viagem não faz bem? Pra mim, especialista em pegar a estrada, é sempre bom. É sempre incrível.

Não fiquei muito tempo com eles. Fiquei admirando meus presentes. Observando atentamente a ordem das músicas. O encarte. O cheiro. Sim, eu cheiro discos e livros novos. Adoro. E fiquei por ali louco pra vir embora.

Quando o Marião disse: "Vamos fechar", tive uma sensação semelhante de quando dou uma golada no bom e velho Jack: alívio. Prazer. Então, preparei tudo, dei um tempo e caí fora.

www.youtube.com/playlist?list=PLcXviRsCvzrBXDBGRQDLDjggHMiH4mDJf

Até a próxima.

domingo, 3 de agosto de 2014

Buenas Radio - n° 39.

Buenas Rocks - n° 39. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark
(Desenho: Egon Schiele). 

Este poema, sem título, vai estar no meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...".

Telefono às dez da matina. Ela atende:
"Que foi!? Uma hora dessas!!"
Ela sabe. Ninguém me conhece melhor. Ela sabe que é estranho eu ligar pra alguém, principalmente às dez da matina.
"Tá tudo bem?".
"Não".
"Tô doente. As dores no peito...".
Momento cortante. Como a madruga. Pior, "Me arrependi".
De contradições eu não entendo -- nem devo. Cortante a noite, a madruga.
"Não sei o que eu quero".
A grana pro pão soa como um soco no estômago. Triste, como sempre, desabo. O som que sai dos lábios dela fode a dor.
"Eu mudo muito".
De contradições eu não entendo -- "vem ficar comigo" -- nem devo.