sábado, 30 de agosto de 2014

Betty em Amsterdam.

(Na foto: Béatrice Dalle).

Acabo de acender uma vela para Jack Kerouac. Voltei a ler os essenciais "Big Sur" e o "Alma Beat". Tenho escrito para personagens que têm vida própria mas que estão longe do meu alcance, assim como você vivendo na melancólica Amsterdam, sozinha, sonhando em ser reconhecida mundialmente. Adoro suas pinturas. Tô com o livro "68 contos" do Raymond Carver aqui comigo. Li o primeiro conto. Somente. Pois só consigo pensar em Kerouac agora. Leio pouco os contemporâneos. A maioria é rasa -- não é o caso do Carver. Adoro Eddie Bunker, Efraim Medina e o Pedro Juan Gutiérrez. Esses caras urgem. Fazem valer. O que eu quero mesmo neste momento é esquecer de mim só pra ver como as coisas ficam. Imagino que deve ser bem melhor sem minha presença. Jane Birkin tá aqui em SP. É provável que a gente beba na Augusta. Incrível como esta cidade é enorme, mas todos só falam na Augusta. Você tá vendo como o mundo é limitado? Em Amsterdam deve ser assim, não? O mundo tá se tornando cada vez mais um lugar desprezível. Soube que foi proibido fumar maconha nas ruas dessa cidade que você adotou como sua. É verdade, Betty? Te vejo angustiada trancada dentro de casa. Nostálgica. Dia desses vi a Debbie, sua melhor amiga, na famosa Augusta. Tô prestes a me mudar. Vou sentir saudade daqui, o segundo lugar que me acolheu na Selva de pedra. Não tenho almoçado ultimamente. Acordo ao meio-dia, tomo café e abro o livro. Passo horas lendo "Big Sur". Costumo ler devagar, como se estivesse saboreando cada letra, cada palavra.

* * *

Reescrevi este texto recentemente. O original foi postado aqui em 2012.

Até a próxima.
Postar um comentário