domingo, 3 de agosto de 2014

(Desenho: Egon Schiele). 

Este poema, sem título, vai estar no meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...".

Telefono às dez da matina. Ela atende:
"Que foi!? Uma hora dessas!!"
Ela sabe. Ninguém me conhece melhor. Ela sabe que é estranho eu ligar pra alguém, principalmente às dez da matina.
"Tá tudo bem?".
"Não".
"Tô doente. As dores no peito...".
Momento cortante. Como a madruga. Pior, "Me arrependi".
De contradições eu não entendo -- nem devo. Cortante a noite, a madruga.
"Não sei o que eu quero".
A grana pro pão soa como um soco no estômago. Triste, como sempre, desabo. O som que sai dos lábios dela fode a dor.
"Eu mudo muito".
De contradições eu não entendo -- "vem ficar comigo" -- nem devo. 
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