sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ao vivo no Village Vanguard.


"Como outras companhias seletas de mortais, os músicos de jazz têm sua própria demonologia. Talvez os espíritos mais malignos sejam os principais críticos, seguidos de perto por quase todos os empresários e a maioria dos funcionários de gravadoras. Mas um círculo especial nesse inferno é reservado aos donos de boate. Os críticos são imbatíveis em sua ignorância; os empresários são mentirosos incuráveis e os executivos das gravadoras nunca mostram números verdadeiros. Mas os donos de boate, assim reza a lenda, possuem todas essas características perniciosas e, de quebra, não possuem o menor interesse pela música". 

Introdução assinada por Nat Hentoff.

Assim começa o livro Ao Vivo No Village Vanguard (Cosac Naify, 2006), de Max Gordon, sobre o fascinante mundo do jazz e da folk music norte-americana. Max chegou na terra prometida ainda na juventude em companhia de sua mãe e de seus irmãos, vindos da Lituânia, para encontrar seu pai que mudara-se em busca de uma vida melhor para sua família no pós-guerra. 
Foi com muito esforço que Max, por incentivo de Anne - uma garçonete que ele conhecera em Nova York – e seu fiel amigo Harry Simon, que ele fundou nos anos trinta esta célebre boate que abrigou diversos nomes da cena musical no Greenwich Village, como Leadbelly, Judy Holliday, Sonny Rollins, Miles Davis, Charlie Mingus, entre outras feras. 
Max relata com detalhes o começo e o apogeu do Village Vanguard. Das dificuldades e de como era prazeroso fazer parte daqueles momentos de rara beleza. Poder sentar-se na mesa e beber várias garrafas de vinho em companhia de gente como Thelonious Monk, Dinah Washington, Woody Guthrie... Testemunhar de perto o florescimento de um estilo musical fascinante até hoje. 

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Lançamento: 2015.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Trilha do dia: Reverendo T. & Os Discípulos Descrentes.


Versão matadora esta que o Reverendo T. fez para "Revelação", que foi uma das minhas trilhas da madruga. O cara destruiu e melhorou, e muito, um dos clássicos do repertório de Fagner. Eu prefiro a versão do meu amigo baiano fã de Leonard Cohen e cerveja como eu, do que a do cearense. Do polido ao sujo, denso e arrastado. 

Acordei e a primeira música que ouvi foi esta. Devo ouvir mais umas dez vezes antes de começar meus afazeres -- minha rotina diária -- que eu tanto gosto. Hoje não é dia de Merça, é verdade, minha rotina das segundas-feiras, mas essa é a rotina que eu escolhi pra mim e devo dizer que esta nunca cansa, também.

Ouça o cara aqui: www.soundcloud.com/reverendo-t

* * *

Ando ansioso para ouvir o novo álbum de Neil Young, "Storytone", que será lançado no dia três de novembro. Mais um petardo do velhinho fodástico tá vindo por aí. Ontem, saiu "The Best Day", o novo álbum do Thurston Moore. Ele tá vindo tocar em SP no dia quatro de dezembro com sua nova banda, a Thurston Moore Band, e é claro que eu não vou perder essa. 

Até a próxima.

terça-feira, 21 de outubro de 2014


fui dormir por volta das quatro da madruga. antes, lembrei que hoje é o aniversário dela, e deitei. acordei às nove da matina com o telefone tocando: "eu te amo". conversamos um pouco e ela desligou. me lembrei do aniversário dela. pensei um pouco sobre nosso primeiro encontro e de como foi o segundo, o melhor. adormeci em seguida e sonhei que estávamos juntos numa festa aqui em SP e, em alguns momentos, na Bahia, perto dos meus familiares que ficaram curiosos pra saber quem era "a gata". chamamos atenção dos transeuntes na porta de casa. era noite e nos beijamos muito por ali. ela me agarrava e cochichava que não queria voltar pra SP. que coisa. eu adoro aqui. jamais ficaria lá pra satisfazer essa vontade dela. essa. já fiz tantas... mas essa, não. não me vejo morando em outro lugar. foi um sonho longo... muitos momentos aqui e lá. e o que a gente queria mesmo era ficar juntos. colados. foi triste quando acordei, absorto, procurando ela pelo apartamento. a melancolia bateu. é triste essas coisas: imaginar minuciosamente e não viver tudo isso. mas pra quê a gente sonha, caramba!?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Diálogo.

- Ela é atriz.
- Isto quer dizer que ela é vaidosa.
- Por que? 
- Porque ela é atriz.
- Escritor também é.

(Pausa à la Dorival Caymmi)

- Veja bem...
- Rá, te peguei.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Trilha da madruga: Elliott Smith.


Para uma madrugada onde o facebook nada me diz entre uma eleição e outra -- como são chatos esses posts onde pessoas só faltam sair na mão pra defender seus candidatos. Cada um crê no seu e defende com unhas e dentes. Eu não perco meu tempo com isso, desculpa. Tô tentando cortar uma gripe que tá prestes a me derrubar. Gosto de pensar que é gripe. Das brabas. Tem quatro tipos da "Rasen Bier" na geladeira me esperando. Uma pena que não posso desfrutar das cervas de Gramado que comprei hoje descendo a Frei Caneca depois de comprar o novo álbum do Leonard Cohen, "Popular problems". Cohen é um "gentleman". Desses que amam as mulheres. Antes, descobri um restaurante mineiro entre a Caneca e a Augusta. Adoro comida mineira e aproveito pra dizer que a garçonete era uma atração à parte e seu sorriso me fez adiar um pouco o pedido. Fiquei ali bebendo a "Verdinha" e curtindo o calor. Nunca mais eu havia saído de casa ao meio-dia -- é que normalmente acordo nessa hora; mas tava louco para completar minha coleção do canadense. Também amo as mulheres. Acontece que Cohen é um cavalheiro. Ele é do tipo que manda flores e puxa a cadeira pra elas sentarem. Diferente de mim. Eu não faço essas coisas. Tô mais pra Bukowski. Nesta semana, meu amigo Lucas "De Maior" fez uma comparação da minha escrita com a do velho safado. Já ouvi muito essa comparação. Mas a do Lucas foi diferente: "Buenas, você é muito influenciado por Bukowski. É verbo, substantivo e complemento; o que difere é teu estilo. O teu é próprio". É, Lucas, estilo é a marca. A digital. Então eu fiquei admirando a garçonete do restaurante mineiro. Realmente adoro comida mineira e sou tarado por garçonetes. Voltando à trilha da madruga: depois de ouvir Cohen, me deu vontade de ouvir o Elliott. Minha garganta continua doendo e esta sensação febril só faz meu humor piorar. Com essa "politicagem" virtual, então, nem se fala. 

Até a próxima.

Elliott Smith: www.youtube.com/watch?v=YvshckQBt1c

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Assistindo Cachoeira...


Assistindo Cachoeira - do boteco de Dona Véinha - 
pude enxergar a solidão de suas ruas entre as trilhas 
melancólicas que me levam a lugar algum. 

Talvez aos teus seios
Analisando a imensidão da tua beleza
que não me sai do pensamento -

Como naquele verão marcado pelas travessuras 
que fazíamos nas tardes onde a maresia 
embaçava nossos olhares carregados de sonhos pueris,
diante dos olhos de Alice [masturbando-se na densa tarde que flutua em minha frente] -

Que me levam a lugar algum.

* * *

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Lançamento em 2.015.

domingo, 5 de outubro de 2014

Trilha sonora para quando a cerva subir pro juízo, ou o que sobrou dele.

Eu sempre tive o hábito de passar os domingos em casa. Nunca gostei de visitar ninguém, nem de ser visitado. Principalmente quando é visita surpresa. Nunca bata em minha porta e venha com essa: "Surpresa, Buenas!". Por favor. Meu humor, que não é dos melhores, vai piorar. Não gosto de ir à praia (aliás, gostava quando eu era criança e minha mãe levava a gente - meu irmão e eu - pra pescar no Farol da Barra). Nem ao shopping. Praia, só no fim de tarde, quando o sol está prestes a cair fora. Assim que eu gosto. De beber minha cerva, sossegado, em companhia de quem vale a pena. Então eu gosto de ficar em casa assistindo filmes e ouvindo música bebendo minhas cervas. Ou bourbon. Depende do tempo lá fora. O que faz a diferença aqui dentro. Depende. Tudo depende. Dos discos que eu gosto de ouvir quando a cerva sobe pro juízo, ou o que sobrou dele, é o primeiro do Barão Vermelho -- um disco de rock tosco gravado em quatro canais. Ou será oito? Não me lembro. É nesse que tem "Down em mim", "Billy negão", "Por aí" e "Todo amor que houver nessa vida", entre outras loucuras com Caju berrando poesia crua. Impactante. Muito foda esse "filhinho-de-papai da zona sul". É assim que os detratores de Cazuza o chamam para denegrir a sua imagem. Seu talento. Deve ser mesmo um incômodo pros babacas ser rico, rocker e poeta talentoso com muita grana pra gastar. Nunca entendi por que o poeta tem que ser o pobre fodido de bolso. O que vaga por aí trabalhando em troca de comida e bebida. De um lugar pra dormir (essas coisas que falam sobre o poeta marginal). Um poeta marginal pode morar na cobertura do Leblon, frequentar grandes festas nos endereços mais quentes e não ser babaca como muitos artistas que é só blá blá blá. Só discurso. O primeiro disco do Barão é uma obra-prima. Isto se deve em boa parte ao talentoso poeta Caju e seu canto escrachado. Mais um "filhinho-de-papai" a deixar sua marca indelével em nossas vidas. Em nossa história. Sempre tardão da noite esse disco toca em meus domingos encharcado de cervas e amor. Muito amor.

P.S.: Este texto foi escrito e postado aqui e no facebook em 2.012.

Buenas Radio - n° 48.

Buenas Radio - n° 48. by Tarcísio Buenas. on Grooveshark