segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lhasa.


Eu sou fã da banda inglesa Tindersticks há mais de quinze anos. O clima atmosférico e soturno das canções tornam as coisas bem melhores toda vez que escuto. No fim de semana passado, lembrei-me que não tenho o disco Hungry saw.
Uma vez navegando na web, me deparei com Leaving songs - gravado em 2005 nos Estados Unidos, no estúdio do Lambchop, mas lançado em 2006 - segundo álbum solo do Stuart Staples, cantor e compositor da banda, e resolvi baixar.
O timbre de voz do cara continua me impressionando. O instrumental é rico e delicado. A beleza que transcende de seus versos é de fazer corar o mais disperso dos românticos. De posse do álbum, saí à procura dos videos no Youtube. Agora é que as coisa s vão "piorar".
A sétima canção de Leaving songs, chama-se That leaving feeling, e este foi o primeiro video que encontrei. O mundo parou de repente em minha frente quando um trem, digamos assim, humano, começou a andar sobre os trilhos com o rosto do Stuart e sua soturna voz me levando de encontro à coisa mais linda que ouvi nos últimos anos. Um rosto lindo e carismático cantando em frente a outro trem, me levaram a um mundo novo e encantado, bem diferente deste que estou vivendo aqui no sul do país onde não há beleza alguma, exceto o sorriso de minha mãe e as montanhas que cercam Paranaguá - cidade localizada no litoral do Paraná.
Lhasa de Sela é o nome da cantora. Saí pesquisando sobre ela e soube que a moça é norte-americana, filha de americanos, mas com descendência mexicana.
Na infância, e posteriormente na adolescência, viveu viajando pelo mundo em companhia de seus pais. Daí, nota-se porque ela canta em inglês e espanhol, entre outas línguas, em seus três álbuns lançados. 
Eu já estava começando a me apaixonar por ela quando soube da pior notícia que poderia me ocorrer naquele momento: Lhasa faleceu no primeiro dia deste ano vítima de câncer nos seios, em Montreal, instantes antes da meia-noite. 
Encantado com o mundo que estava parado em minha frente, fiquei por ali, deitado na cama de minha mãe olhando para o teto. Uma fresta de sol ia de encontro a cômoda que refletia na minha testa.
Fazia frio na hora. A árvore que fica aqui em frente prenunciava o começo da noite com a chegada dos morcegos que vivem por aqui. Eu já não achava mais graça em nada. A vida opaca daqui voltava à sua rotina lenta e sem beleza alguma. 

"Lhasa", escrito em junho de 2011, é mais um texto do meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." que posto aqui. Será lançado no primeiro semestre do próximo ano. 

Eis o video: https://www.youtube.com/watch?v=Qkbp1TyWMX4

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