domingo, 31 de maio de 2015

Saiu o primeiro texto sobre o "18 de maio, quanto tens por dizer...".

(Na foto, com o escritor Cassiano Antico).

Meu amigo Cassiano Antico escreveu sobre meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". O texto foi postado na página dele do facebook.

Li "18 de Maio... Quanto Tens Por Dizer..." Livro do amigo Tarcisio Buenas. Quando tava na Espanha, com minha mulher, Tarcisio me escreveu pedindo pra eu comprar o que achasse da banda Tindersticks. Procurei nuns dois ou três lugares e não achei nada. Depois de ler o livro, me sinto em dívida. Devia ter rodado "Cervantes". Devia ter procurado nos moinhos, porra. Devia ter conseguido. Assim como eu, ele gosta de algo já meio morto. O perfume do encarte. Poder ler as letras das canções, saber ao certo quem cantou, quem tocou guitarra, se tiver foto da rapaziada melhor ainda. Por isso que gosto tanto de vinil, especialmente dos antigos, que trazem as letras, os créditos todos. Aquelas capas grandes, gigantes, sem miséria, algumas são verdadeiras obras de arte. Outras são lindas de tão bregas. Você lê a letra da canção como se fosse um poema, ali, diagramado. Em silêncio: enquanto ouve. E foi o que fiz com o livro do meu amigo. Abri, "liguei a vitrola". Lado A & Lado B. Sem intervalo. Num gole só. Tipo de livro que te leva pra muito além do livro. Que são os livros que valem a pena. Nietzsche já havia dado a letra. Todas as referências ali, as referências dele: que são também as minhas. Me senti em casa. E isso, casa, é sempre foda, né? Feridas, os sentimentos mais básicos, entrega, lealdade, traição, dor, perdão... Vão aparecer. O livro é de uma singeleza, humanidade. O coração do cara aparece até quando ele tá fazendo uma análise critica de um filme, ou de um livro. E foi como se encontrasse um amigo que anda "do mesmo lado da calçada" que eu. E que se nega a atravessar a rua. Porque sabe muito bem quem vive do lado de lá. Mesma sensação de inadequação com esse mundo de campeões, de risada fácil, falsa. Onde só as putas são honestas. Comi a pizza com o Tarcisio, no chão, chorando. Eu tava lá, brother. Grato por ter um amigo. Um de verdade, pelo menos. Levantei-me, não penteei os cabelos e nem dei um trato no visual. Porra nenhuma. A minha garota me esperava do lado de fora. Ela beijou os meus lábios. Tinha amor ali. Era noite. Com as mãos nos bolsos, fui ouvindo um velho punk rock, sentindo o vento frio na cara. Vontade era de varar a noite falando sobre 18 de maio com o primeiro sujeito que eu encontrasse. Coitado do cara. Ele ia ter que me ouvir. Sobre o início e o fim do mundo. Do acidente fatal. Da solidão do Ian Curts. Do choro da baleia. Que tudo isso aqui é provisório. Vai acabar. Vocês não estão vendo? Logo estaremos todos mortos. Com amor, esperança ou ódio... Seja lá o que você guarda, esconde aí.

Cassiano Antico.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Trilha da noite: Joy Division - Novelty.

HOJE

(Cartaz: Silvia Rodrigues).

Segunda-feira é dia de lançamento de livros na Mercearia São Pedro, a Merça, bar e livraria onde parte da minha gang se concentra toda segunda pra beber e falar besteiras. Coincidentemente, hoje é dia do meu aniversário (43 Km rodados). Acho q tô no lucro - rs. Dizem que o álcool conserva. Deve ser isso. E enquanto o fígado não reclamar, vai ser assim; nesse estilo de vida que muitos sabem como é. Vou lançar meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." lá às 22H. Quero convocar a minha gang e afins - rs - pra entornar muitos copos e jogar conversa fora. O q nos resta.

Até lá.

domingo, 17 de maio de 2015

Prefácio do "18 de maio, quanto tens por dizer...".

(Com o Marião no Planeta's. Foto: Lucas Mayor).

Quando resolvi lançar o meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...", eu já sabia quem ia escrever o prefácio. Ninguém faria melhor.

O CARA QUE TEM A MANHA

Falei uma vez pro Buenas que na lápide dele vai estar escrito: "Esse cara tinha a manha". É um cara que vive de maneira espertamente baiana (ou seja, sem pressa). Eu brinco com ele dizendo que ao entrar num motel com uma garota a primeira coisa que ele deve dizer de maneira muito malemolente é: "Tem teeempoo". Assim mesmo prolongando as vogais e exagerando no sotaque para não deixar dúvidas. Os versos de seu conterrâneo, o poeta Wally Salomão lhe traduzem à perfeição: "eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus". Buenas vive de maneira descompromissada com o que chamam de destino . Não tá nem aí para o que esse senhor reserva pra ele. Lendo esse livro vocês irão conhecer o cara que acende velas para John Fante e para Kerouac e que passa longe de "salões de beleza onde homens fazem as unhas bebendo Martini com cereja para enfeitar o copo". O cara que prometeu tatuar uma coruja no braço e que remetem diretamente a poesia dos derrotados ("Beatriz") ou a atrizes-cantoras-musas eternizadas ("Jane Birkin"). Buenas me passa a impressão de ser aquele tipo de sujeito que veio ao mundo para escrever, ouvir músicas e amar as mulheres. Enfim, o poeta com vocação para gauche que jamais sonhou em deixar suas digitais em algum troféu da tal maratona da prosperidade que a maioria das pessoas se dispõe a correr assim que abrem os olhos de manhã. Buenas vai mesmo é parar em algum bar (seja em Lisboa, Salvador ou São Paulo - em Londres não, já que não deixaram ele entrar lá) e beber sua cerva artesanal sozinho num canto do balcão. Buenas é o cara que está sempre de férias. Eu disse que ele tem a manha. Quando não está escrevendo, amando as mulheres ou bebendo com os amigos, passa o seu tempo livre trabalhando na Buenas Bookstore que é uma pequena livraria que ele gerencia no Teatro Cemitério de Automóveis e onde suas vítimas despencam afoitas a fim de adquirirem aqueles títulos de livros que eles não conseguem encontrar muito facilmente, mesmo porque a maioria dessas pessoas tem trabalhos que as impedem de conseguir um tempo livre para garimparem nos sebos atrás desses títulos. Buenas tem todo o tempo livre e pode fazer esse inestimável serviço de utilidade pública e o faz com desenvoltura flanando pela cidade assobiando alguma canção de Ian Curtis. Durante a madrugada ele costuma ficar se divertindo colocando músicas para os amigos boêmios do bar Cemitério de Automóveis. Buenas é um grande conhecedor de música e nesses momentos ele se transforma no DJ Buenas e com os fones ancorados nos ouvidos adentra o outro mundo que ele escolheu. O mundo dos caras que não se engajam, dos que não se alistam. Buenas é um desertor. Quando a guerra começou, ele simplesmente levantou da trincheira e foi andando sossegado em direção contrária às bombas. E ele não vai voltar. Ele disse que não tem nada a ver com isso. Mas não acredito que alguém vá pedir a cabeça dele. Nós todos gostamos de vê-lo por aqui. E ele sabe disso. Acho que eu já disse que ele tem a manha.

Mário Bortolotto

sábado, 9 de maio de 2015

Do livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." (Buenas Books).


Trecho do texto 18 de maio, quanto tens por dizer... (Segunda parte). 

"Não suportava que penteassem meu cabelo. Tinha asco a escovas com cabo de madeira. Um cabelo tão bonito que meu pai fazia questão de não deixar ninguém cortar. Quis o destino (?) que meu pai falecesse quando eu completei dois anos e, final- mente, minha mãe, sob pressão familiar, resolveu cortar. Eu não suportei esse momento. Não gostei da ideia. Aliás, naquela época muita coisa me contrariava. Não mudou muito com o passar dos anos. As coisas abrandaram pro meu lado quando descobri o rock e, em seguida, a literatura beat. Aí sim, minha vida começou a fazer algum sentido".

O meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer..." está à venda neste e-mail: buenasrocks@gmail.com. Custa R$ 25,00.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Orelha do "18 de maio, quanto tens por dizer...".

(Lucas Mayor e eu. Foto: Mário Bortolotto. Na Mercearia São Pedro.SP, 2015).

Pedi ao meu amigo Lucas Mayor pra que ele escrevesse a orelha do meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". Ele escreveu um poema. Um belo poema.

 ESCREVENDO COM O CANTO DA BOCA

 Existem sujeitos que escrevem nos lugares mais inóspitos possíveis. É uma tentativa de fazer com que a experiência da escrita seja ainda mais real. Outros sofrem deliberadamente a fim de levantarem material. Escritores são pessoas estranhas. Existe o mundo do papel, da ficção, e existe o mundo real, esse aí que a gente suporta e precisa viver nele. Um escritor trabalha nesse limiar, saltando de lá pra cá como um ginasta se exercitando numa barra transversal. “Levei a vida toda escrevendo esses textos”, ele comenta. Faz sentido. 18 de maio, quanto tens por dizer... é uma carta longa endereçada a um destinatário que atende pelo nome do próprio autor. Philip Roth diz que “é preciso colocar a história no papel para ver o que acontece”. Aqui o trajeto é parecido. Os textos vão conversando entre si, e ao fim você se dá conta de que ao colocar as histórias no papel, a vida dentro do texto, o que emerge é outra coisa. Uma outra vida, decerto. Uma vida pautada e mediada pela palavra (por lembranças, pequenas narrativas e ajustes que só a imaginação permite). Escrever como que pra justificar o que foi feito de si. A sensação é de pura cumplicidade. Eu me peguei rindo em várias passagens, inicialmente, e depois fui tocado por uma inextinguível dose de desamparo, que é uma das características mais evidentes desta breve coletânea. O livro que você tem em mãos é como um dirigível em chamas num céu azul royal observado por um garoto deitado na grama apontando pro alto com uma pistola de borracha. O desamparo costurado com a linha da serenidade dos que há muito tempo sacaram que a felicidade é só o nome de um motel vagabundo no centro de uma cidadezinha barulhenta e abafada. 18 de maio, quanto tens por dizer... foi escrito com o canto da boca amortecido por uma dor de dente que nunca passa. 

Bom passeio! 

Lucas Mayor.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

lou.


hoje eu acordei pensando nesse cara. o cara que fez minha cabeça há muitos anos atrás. new york são crônicas sobre a grande maçã. adoro. dos meus. new york só encontra páreo quando comparado a berlin, outra obra-prima. então eu acordei pensando nesse cara. lembrei que vomitei no cu da madruga, coisa q não faço há muito tempo. mesmo. não sou de vomitar. deve ter algo errado. acredito. ontem a bebedeira foi daquele jeito. de sair torto do bar. lembro me despedindo do harry potter. nos abraçamos na porta da padoca. lembro do marião entrando lá. o fernão absorto no meio do caminho. o linguinha ficou na praça. o marcelo tava fechado. que bom q tava fechado. caso contrário, o estrago seria pior. vomitei ao lado da cama. agora tá tudo bem. escovando os dentes, lembrei da feijoada na casa do marião. ele me convidou. só q não vai dá pra ir. com essa ressaca, sem condições de sair de casa. comprei umas cervas... estas ficarão para a próxima. semana q vem tem o lançamento do meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". o livro deve chegar a tempo. tá em produção na gráfica. agora a cabeça tá começando a doer. é o preço. nada nesta vida vem de graça. q assim seja. e este new york é uma obra-prima. e será minha trilha mais uma vez. uma das trilhas da minha vida.