quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Uma pílula paciência, por favor.


O final do livro Um copo de cólera é um dos mais impactantes que já li. Tentei ler em Salvador na minha última viagem. Não deu. Comecei ontem. Terminei hoje de tarde. Li o último capítulo três vezes. Sensação semelhante a que tive quando li na adolescência A casa tomada do Cortázar ou O processo de Kafka. Nunca imaginei que o final de um livro fosse mexer tanto comigo a essa altura do campeonato. Um copo de cólera é universal. Sem fronteiras. Você não pode classificá-lo de "Literatura brasileira". Desculpa. Tem algo mais. Que transcende. Lembra passagens da bíblia. Parábolas, lembrou meu amigo Lucas Mayor no papo que tivemos hoje à noite. Lucas vibrou quando eu disse a ele o baque que foi ter lido o segundo livro do Raduan Nassar. Foi foda mesmo. É um troço. Tá faltando alguma coisa pra poder explicar. Falta conhecimento. Talvez. Eu não queria ter saído de casa. Aliás, eu tô assim já faz um tempo. Tenho saído porque preciso. Tem meus livros pra vender. Preciso pagar minhas contas. Assim como você. Então eu vou pro teatro como se tivesse alguém me empurrando. Comentei isso com o Lucas - ele me disse que sente a mesma coisa. Não tenho vontade de conversar com ninguém. Impaciência ao extremo. Hoje, uma mulher, bêbada, nada contra a bebedeira, colocou o copo em cima de um livro. Chamei ela atenção. Ela tirou o copo. Instantes depois, ela colocou de novo o copo em cima do livro. Perdi a paciência. Fiquei bravo. Joguei a bolsa dela no chão. Reclamei. Deixei claro que não queria ela ali. Que ela fosse pra outro bar. Que lá não é lugar pra ela. Os amigos interviram. Ela pareceu entender. Em seguida, veio me pedir desculpas. Ok. Eu sempre desculpo. Não carrego mágoas no meu coração. Nem rancor, o pior dos sentimentos - fico na dúvida quando penso no ódio - que também não sinto. De verdade. E continuei conversando com meu amigo Lucas. A gente se entende. Ele apontou o dedo como se estivesse reclamando porque não escrevo mais. Expliquei que parei por causa da ansiedade pra lançar o meu livro. "É, Buenas, mas o livro já foi lançado". Disparou. É que tem outros problemas. Todo mundo têm problemas. Seja financeiro, envolvimento com drogas, lícitas ou não, existenciais, relações de qualquer tipo. Enfim, cada um com o seu. O meu é outro. Preciso resolver isso. E tem outra questão: o contato com muita gente todos os dias me incomoda. Me tira a concentração. As pessoas querem atenção. Querem conversar. Eu não tenho paciência pra essas coisas todas as noites. Todos os dias. As coisas só abrandaram, além do papo, com o Lucas, foi quando ele disse: "Buenas, o Linguinha me mandou uma mensagem ontem". "Qual, Lucas?". "Lucas, tô indo pro Rio. Cuide bem do teatro!". Assim mesmo: com exclamação. Depois dessa, eu pedi a segunda e última cerva da noite. Fez valer.

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