quarta-feira, 30 de setembro de 2015

On The Rocks Recomenda.


"Dizem que quando um casamento termina as pequenas coisas que você nunca percebeu antes praticamente fazem seu cérebro se partir ao meio. Durante toda a semana isso tinha sido verdade para mim sempre que Thurston estava por perto. Talvez ele sentisse o mesmo, ou talvez a sua cabeça estivesse em ouro lugar. Eu realmente não queria saber, para ser honesta. Fora do palco, ele estava sempre escrevendo no celular e andando em volta de nós como um garoto culpado e obsessivo. Depois de trinta anos, aquela noite era o último show do Sonic Youth. O Festival de Música e Artes SWU acontecia em Itu, nos arredores de São Paulo, Brasil, a oito mil quilômetros da nossa casa, na Nova Inglaterra. Era um evento de três dias, transmitido pela televisão latino-americana e também pela internet, com grandes empresas patrocinadoras, com Coca-cola e Heineken. As atrações principais eram Faith No More, Kanye West, Black Eyed Peas, Peter Gabriel, Stone Temple Pilots, Snoop Dog, Soundgarden, gente assim. Era um lugar estranho para as coisas chegarem ao fim." 

Kim Gordon em sua autobiografia "A garota da banda". Editora Rocco.

sábado, 19 de setembro de 2015

18 de maio, quanto tens por dizer... (Segunda edição).

(Foto de capa e diagramação: Rodrigo Sommer).

Segunda edição do meu livro "18 de maio, quanto tens por dizer...". O livro passou por uma nova revisão, ganhou um texto - que eu esqueci de colocar na primeira - e uma nova capa. É isso. 

Custa 25 reais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Trilha do dia: Thunderbitch.


Thunderbitch, primeiro álbum do projeto/banda homônimo da menina Brittany Howard, vocalista dos Alabama Shakes, é sério candidato a um dos melhores do ano.

Para ouvir, acesse: www.thundabetch.com/listen

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Conheço meu fígado como ninguém.


A Buenas Bookstore não abriu hoje. É que o teatro não tá abrindo às terças-feiras, por isso a minha livraria tá fechada. Por isso fiquei em casa bebendo umas cervas com o som ligado e o livro "Alguém come centopeias gigantes?" aberto aqui do meu lado. Curti a entrevista com a Patti Smith. Em determinado momento, ela diz: "Porque todo mundo é único em Nova York, todo mundo está tentando... É uma cidade de arquitetura pessoal. Todo mundo está tentando construir sua própria lenda. Todo mundo está se recriando aqui". O que me faz lembrar SP. Que é assim. Minha dúvida é quanto a arquitetura da cidade. Somente. No mais, eu curto tudo isso. O estilo de vida das pessoas. O meu. Conheço uma turma que já caiu fora desde que aqui cheguei, em 2011, e conheço outras que estão prestes a dar adeus à Selva de pedras. Não quero sair daqui tão cedo. Não me vejo morando em outra cidade. Ontem eu não fui pra Merça. Bebi apenas duas cervas em um boteco na São João, sozinho, pra desespero do meu fígado: "Poxa, Buenas, só duas?". Eu percebi. Eu conheço meu fígado como ninguém. Hoje, no final da tarde, depois de ir ao banco, fui a um mercado na Pompeia comprar umas cervas. E como ele ficou feliz quando me aproximei das prateleiras onde estão o "néctar dos deuses". "Aí sim, hein, Buenas. Você é o cara!". "Cala a boca, cuzão". Ele ficou na dele. Comprei as cervas e voltei pra casa. Botei seis garrafas pra gelar. Assim tá bom pra começar - tem ainda um Jack na espera. Tomei banho, fiz meu sanduba de salame - muito foda - e liguei o som. Patti Smith. Abri uma que já estava gelando desde ontem. Dei o primeiro gole da noite e o meu fígado, feliz da vida, saltitando como uma criança no parque em um domingo à tarde - assim como eu fazia quando criança - não se conteve: "Ahhhhh... Buenas, eu te amo".