terça-feira, 1 de setembro de 2015

Conheço meu fígado como ninguém.


A Buenas Bookstore não abriu hoje. É que o teatro não tá abrindo às terças-feiras, por isso a minha livraria tá fechada. Por isso fiquei em casa bebendo umas cervas com o som ligado e o livro "Alguém come centopeias gigantes?" aberto aqui do meu lado. Curti a entrevista com a Patti Smith. Em determinado momento, ela diz: "Porque todo mundo é único em Nova York, todo mundo está tentando... É uma cidade de arquitetura pessoal. Todo mundo está tentando construir sua própria lenda. Todo mundo está se recriando aqui". O que me faz lembrar SP. Que é assim. Minha dúvida é quanto a arquitetura da cidade. Somente. No mais, eu curto tudo isso. O estilo de vida das pessoas. O meu. Conheço uma turma que já caiu fora desde que aqui cheguei, em 2011, e conheço outras que estão prestes a dar adeus à Selva de pedras. Não quero sair daqui tão cedo. Não me vejo morando em outra cidade. Ontem eu não fui pra Merça. Bebi apenas duas cervas em um boteco na São João, sozinho, pra desespero do meu fígado: "Poxa, Buenas, só duas?". Eu percebi. Eu conheço meu fígado como ninguém. Hoje, no final da tarde, depois de ir ao banco, fui a um mercado na Pompeia comprar umas cervas. E como ele ficou feliz quando me aproximei das prateleiras onde estão o "néctar dos deuses". "Aí sim, hein, Buenas. Você é o cara!". "Cala a boca, cuzão". Ele ficou na dele. Comprei as cervas e voltei pra casa. Botei seis garrafas pra gelar. Assim tá bom pra começar - tem ainda um Jack na espera. Tomei banho, fiz meu sanduba de salame - muito foda - e liguei o som. Patti Smith. Abri uma que já estava gelando desde ontem. Dei o primeiro gole da noite e o meu fígado, feliz da vida, saltitando como uma criança no parque em um domingo à tarde - assim como eu fazia quando criança - não se conteve: "Ahhhhh... Buenas, eu te amo".
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